O artigo publicado recentemente sobre as novas diretrizes aprovadas pela AGESCI a respeito dos temas de identidade de gênero e orientação sexual suscitou um confronto que rapidamente foi além do conteúdo específico do documento. Muitos leitores perceberam que a questão não diz respeito apenas a algumas escolhas educativas ou culturais recentes, mas envolve questionamentos mais profundos que tocam a própria identidade do escotismo, suas origens e a forma como a Igreja Católica escolheu se relacionar com ele ao longo do último século.
Ao abordar temas dessa natureza, contudo, o risco é sempre o de tomar atalhos interpretativos. De um lado, há quem considere toda referência a possíveis influências maçônicas no escotismo como uma forma de suspeita irracional; de outro, quem acredita que basta identificar uma semelhança simbólica ou uma afinidade cultural para demonstrar uma derivação direta e consciente. A realidade histórica é quase sempre mais complexa e, justamente por isso, mais interessante.
A primeira pergunta que emerge inevitavelmente diz respeito a Robert Baden-Powell. O fundador do escotismo mundial era maçom? Apesar das numerosas afirmações que se podem ler na internet, a resposta historicamente mais correta é que não existem provas documentais definitivas de sua filiação a qualquer loja. Não constam inscrições comprovadas nas principais obediências britânicas, e mesmo alguns estudiosos próximos ao mundo maçônico reconhecem a ausência de documentação conclusiva. Se, porém, nos limitássemos a esse dado, correríamos o risco de não compreender a questão em sua totalidade.
A história das ideias não coincide, de fato, com a das fichas de associação. Um homem pode não pertencer formalmente a uma determinada organização e, no entanto, viver imerso em um ambiente cultural que compartilha seus símbolos, categorias, aspirações e visão de mundo. É precisamente desse ponto de vista que o problema se torna interessante. A Inglaterra na qual nasce o escotismo não é uma realidade neutra. É a Inglaterra imperial do final do século XIX, uma sociedade na qual a maçonaria representava uma presença influente dentro das elites militares, administrativas e culturais.
É o mundo das grandes associações cívicas, das confrarias, dos movimentos pedagógicos, das organizações que veem na educação moral do indivíduo o fundamento da estabilidade social e do progresso coletivo. É um ambiente no qual se fala continuamente de caráter, dever, disciplina, serviço, fraternidade, simbolismo, aperfeiçoamento pessoal e formação progressiva do homem. Baden-Powell é filho desse mundo, o escotismo nasce dentro desse mundo, e é difícil imaginar que pudesse ser completamente estranho a ele.
O aspecto talvez mais significativo não diz respeito nem mesmo às amizades, contatos ou frequentação do fundador, mas à própria estrutura do método escoteiro. Desde as origens, ele se apresenta como algo muito diferente de uma simples associação juvenil. Possui uma lei própria, uma promessa, um sistema de símbolos, uma linguagem específica, um percurso progressivo de crescimento, etapas a serem alcançadas, provas a serem superadas, distintivos a serem conquistados e uma forte consciência de pertencimento. Em outras palavras, apresenta-se como uma pedagogia do homem.
É aqui que o confronto com o ambiente cultural da época se torna inevitável. Tomemos o símbolo mais conhecido do escotismo, o lírio. Oficialmente, ele remete à bússola e à direção do Norte. Suas três pontas representam os três deveres fundamentais do escoteiro, enquanto as estrelas remetem à verdade e ao conhecimento. Nenhum desses significados é oculto ou secreto. Ao contrário, eles são abertamente declarados. Justamente por isso merecem atenção. Porque orientação, verdade, conhecimento, formação moral e caminho progressivo representam também alguns dos conceitos centrais da simbologia maçônica e, de modo mais geral, do humanismo moral que atravessava o mundo anglo-saxão da época.
O mesmo vale para a estrutura educativa do movimento. O jovem não é simplesmente instruído, mas introduzido gradualmente em um percurso de crescimento marcado por provas, responsabilidades crescentes e reconhecimentos simbólicos. Cada passagem possui um significado educativo. Cada distintivo testemunha uma conquista. Cada etapa representa um avanço ao longo do caminho da formação pessoal. É uma pedagogia que atribui ao símbolo um papel central e que concebe o crescimento moral como um processo progressivo e ordenado.
Também o conceito de fraternidade universal ocupa um lugar fundamental. O escotismo se apresenta como uma grande comunidade mundial capaz de unir jovens pertencentes a nações, culturas e religiões diferentes: ele remete inevitavelmente a uma das categorias mais características do associativismo moderno e da própria maçonaria, ou seja, a construção de uma fraternidade humana fundada em valores compartilhados que transcendam as diferenças. Observados isoladamente, nenhum desses elementos prova coisa alguma. Observados em seu conjunto, porém, eles delineiam um quadro muito mais significativo. Não nos encontramos simplesmente diante de algumas coincidências simbólicas, mas de uma comum concepção educativa que atribui enorme importância à formação do caráter, à linguagem simbólica, à progressão moral, ao pertencimento comunitário e à construção de uma fraternidade universal.
Talvez o ponto mais correto não consista, então, em perguntar se o escotismo é maçônico, mas em reconhecer que ele nasce dentro daquele vasto humanismo moral anglo-saxão do qual a maçonaria representava uma das expressões mais influentes e visíveis. Nesse sentido, a proximidade cultural parece dificilmente negável, independentemente da existência ou não de uma dependência direta. E é precisamente aqui que entra em cena a Igreja. Porque homens como padre Jacques Sevin e Mario di Carpegna compreenderam imediatamente a eficácia educativa do método escoteiro. Mas compreenderam também que nenhum método educativo é realmente neutro. Por trás de cada símbolo, de cada pedagogia e de cada visão da fraternidade esconde-se sempre uma determinada ideia do homem e de seu destino.
A grande intuição do escotismo católico não foi, portanto, copiar Baden-Powell, mas batizá-lo. Não rejeitar o método, mas orientá-lo. Não destruir aquela estrutura educativa, mas reconduzi-la a Cristo. E é justamente dessa tentativa que nasce a pergunta que ainda hoje atravessa o mundo escoteiro católico e que, como veremos, diz respeito na realidade a toda a Igreja contemporânea. Dessa questão trataremos mais especificamente em uma próxima contribuição.
