Em artigo contundente, Jorge Doré aplica a exortação de Cristo no Sermão da Montanha para denunciar os frutos podres do Concílio Vaticano II e da igreja conciliar, alertando os fiéis sobre a apostasia que hoje domina a cúpula de São Pedro.
Guardai-vos dos falsos profetas, que vêm a vós com vestes de ovelhas, mas por dentro são lobos rapaces. Por seus frutos os conhecereis. Acaso se colhem uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa dá bons frutos, mas a árvore má dá frutos maus. Não pode a árvore boa dar frutos maus, nem a árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não dá bom fruto é cortada e lançada ao fogo. Assim que, por seus frutos os conhecereis. (Mateus 7:15-20)
É notável a simplicidade que Nosso Senhor Jesus Cristo emprega no sermão da montanha para nos ensinar a distinguir entre aqueles que devemos aceitar como genuínos profetas e aqueles que devemos rejeitar como impostores. Não nos pede que estudemos volumes para perceber isso. Não precisamos ser eruditos para perceber quando nos dão pão e quando nos dão escorpiões. Jesus falava para as pessoas simples e, precisamente, os que mais se chocaram com Ele foram aqueles que, crendo saber tudo, se recusaram a aceitá-Lo como o Messias prometido. Jesus simplesmente nos pede que observemos o resultado das ações. Toda ação produz um fruto e é esse fruto que devemos discernir se é bom e digerível ou mau e prejudicial.
Muitos fiéis à atual seita conciliar atribuem os frutos podres do Concílio Vaticano II a uma evolução orgânica da Igreja Católica, esquecendo o ensinamento de Jesus. Suas desculpas e debates tentam justificar o injustificável. Tratam de despojar o Messias de sua túnica para vesti-Lo com roupas atuais. Ignoram a distinção que Nosso Senhor faz entre bons e maus frutos e os julgam procedentes da mesma árvore, como se uma fonte pudesse, simultaneamente, dar água amarga e doce, ou como se a luz e as trevas pudessem dar-se as mãos no campo espiritual.
O cataclismo religioso que hoje borbulha sob a cúpula de São Pedro teve sua origem em 25 de janeiro de 1959, quando o antipapa João XXIII (hoje santo da seita novusórdica) anunciou sua intenção de convocar um novo concílio buscando o aggiornamento da Igreja, isto é, "a atualização" da Igreja Católica. Com essa visão secular, abriu as janelas da Igreja para que entrasse ar fresco: promoveu o diálogo com o mundo contemporâneo, a participação dos leigos, a renovação litúrgica e o espírito ecumênico. E foi por essas janelas que os inimigos da Igreja penetraram à vontade. E foi tão destrutiva a intrusão que até o próprio antipapa Montini chegou a admitir: "A fumaça de Satanás se introduziu por alguma fresta no templo de Deus". Dito antipapa foi o que declarou no discurso de encerramento do deplorável concílio: "A religião do Deus que se fez homem encontrou-se com a religião (porque tal é) do homem que se faz Deus". Assim iniciava a revolução conciliar o culto ao homem e o processo de dessacralização e democratização da igreja que hoje a arrasta à apostasia.
Mas a revolta que fazia sua entrada triunfal no concílio havia sido prenunciada por S.S. Pio IX em 1849 com a ominosa advertência: «A Revolução está inspirada pelo próprio Satanás. Seu objetivo é destruir completamente o edifício do cristianismo e reconstruir sobre suas ruínas a ordem social pagã». Fomos advertidos desde muito tempo atrás. Por essas mesmíssimas janelas que João XXIII deixou abertas, infiltrou-se o insidioso e elusivo mal que tantas vezes foi condenado por vários Papas que, preclaramente, haviam dado sua voz de alarme: o modernismo teológico, a soma de todas as heresias. O lagar onde as uvas boas se misturam com as más para fazer fermentar o mosto da heresia.
O que veio depois foi a tomada dos prédios católicos por uma entidade infernal oculta atrás de uma máscara de catolicismo. É assim como a abominação desoladora foi semeada onde menos se deveria e como a grande meretriz se atirou nos braços de todas as religiões e seitas do mundo prostituindo-se com todas elas, chamando a isso "ecumenismo religioso". Precisamente contra este gravíssimo erro da tão cacarejada união inter-religiosa, S.S. Pio XI nos havia posto em guarda em sua encíclica Mortalium Animos, publicada em 6 de janeiro de 1928.
Mas as provas da corrupção na igreja conciliar – seus maus frutos – estão diante de nós, e sem nos perdermos em profundezas teológicas, podemos claramente vê-los, ao modo que Jesus nos ensinou. Estão aí, expostos para todos. Citemos, pois, alguns deles e, se formos honestos conosco mesmos, não nos restará outro remédio senão aceitá-los como fatos irrefutáveis:
- Quando o sacerdote deu as costas à presença real de Cristo no sacrário para interagir com o homem, não vimos os maus frutos. - Quando os sacrários deixaram de ser o centro de atenção e veneração, retirando-se para recônditos cantos do templo, não vimos os maus frutos. - Quando se derrubaram milhares de altares consagrados, substituindo-os por mesas para minimizar o conceito de sacrifício e enfatizar o de ceia, não vimos os maus frutos. - Quando a universalidade do culto se viu rompida pelo abandono do latim e a imposição da língua vernácula, não vimos os maus frutos. - Quando a sagrada forma passou da língua para a mão, não vimos os maus frutos. - Quando o indiferentismo religioso foi proclamado como um bem ecumênico e pôs Cristo no mesmo nível de cultos primitivos, não vimos os maus frutos. - Quando os sacramentos e o catecismo foram alterados, não vimos os maus frutos. - Quando nos templos se permitiu dar rédea solta à imaginação dos "pastores" e se introduziram missas com palhaços, com magos, com dançarinos, com bonecos, com atos circenses, com celebrantes jocosos e disfarçados, com bênçãos dadas com pistolas e baldes de água, com sacerdotes afins ao orgulho LGBTQ, e um sem-número de atrocidades não sancionadas pelas altas hierarquias conciliares, não vimos os maus frutos. - Quando os supostos vigários de Cristo na terra se deixaram ungir por sacerdotisas e xamãs, fazendo-se participantes de seus cultos satânicos, não vimos os maus frutos. E tampouco os vimos quando alguns deles advogaram pelo estabelecimento da nova ordem mundial como única solução de paz para o mundo enquanto continuavam, hipocritamente, rezando em público: "Venha a nós o Vosso reino". - Quando a liturgia e o magistério começaram a se corromper, tornando-se neles patentes a profanidade, a apostasia, o sacrilégio, a blasfêmia e a heresia, não vimos os maus frutos. - Quando se levou a cabo a veneração e adoração de cultos pagãos em prédios católicos, como a Pachamama, não vimos os maus frutos. - Quando durante um evento inter-religioso em Assis se colocou uma imagem de Buda sobre um altar católico e se retiraram cruzes das paredes para não ofender os convidados ao sabbat, não vimos os maus frutos. - Quando a arte e a arquitetura começaram a exibir simbologia esotérica e ocultista, não vimos os maus frutos. (p. ex., o grande auditório da Sala Nervi, também chamada Aula de Paulo VI, que confronta os presentes com um gigantesco rosto de víbora) ou o templo de San Giovanni Rotondo dedicado ao Padre Pio, exultante de simbologia maçônica. Não esqueçamos os Cristos dissociados da cruz que parecem querer escapar dela, os sacrários que semelham portais para o submundo e tantas outras aberrações que hoje são tidas como arte sacra e que parecem resgatadas do lixo do inferno. - Quando nos fizeram crer que mal e bem eram conceitos que confraternizavam; que um sacrilégio era igual a um ato de adoração, que uma paródia do sacrifício do Calvário era simplesmente outro modo de dar glória a Deus, não vimos os maus frutos. - Quando nos instaram a erradicar o proselitismo e substituí-lo pelo diálogo ecumênico, contradizendo o próprio mandato de Cristo (Mateus 28:19), não vimos os maus frutos. - Quando vimos as mulheres participar ativamente dos ritos da Igreja, não vimos os maus frutos.
Note-se que antes do advento do infausto concílio, não havia divisões na Igreja. Atualmente, a luta dos filhos da revolução contra os custodiantes da tradição é encarniçada, como pode ser verificado tanto nos fatos como nas mídias sociais. Isso resultou em dois corpos místicos antagônicos: o de Cristo, custódio da tradição, e o do Anticristo, afeito à revolução. Este é o resultado do satânico pentecostes conciliar que, ao abrir as janelas ao mundo, introduziu um espírito escuro gerador de discórdia e apostasia, hoje manifesto diante de nossos próprios olhos.
Mas quando fiéis, preclaros e valentes religiosos nos advertiram desta revolução que atentava contra nossa fé, foram simplesmente causa de escárnio e repúdio (para maior glória deles). Hoje, o espectro de uma igreja sinodal e humanista – nunca antes vista – substituiu o culto de latria pelo diálogo inter-religioso e marcha rumo a um sincretismo globalista. Aquele culto ao homem que Paulo VI proclamara alcançou seu clímax na chamada igreja sinodal, uma democracia religiosa que minimizou Cristo para dar rédea solta à prepotência humana, tentada por aquele milenar eco que ainda seduz multidões: "Sereis como deuses".
Os frutos do Concílio Ecumênico Vaticano II são os produzidos por uma árvore cujas raízes bebem de poços infernais e cujos ramos são as obscuras sociedades secretas que conseguiram apoderar-se dos prédios católicos. O que produziram esses ramos é a contra-igreja católica que hoje, assentada em Roma, continua regozijando-se cada vez mais com o mundo, com os ideais maçônicos e com os planos das elites globalistas. A que segue encantando quem ainda a considera legítima. E o é: legitimamente diabólica.
Se ainda não vimos os maus frutos, fomos seduzidos pelo mal. Justificamo-los por equívoca obediência, por respeitos humanos, por covardia, por falta de caráter, ou por temor de enfrentar as hordas que temos diante de nós e que devemos combater e denunciar em alto e bom som para não fazer do sacramento de nossa confirmação um escárnio. O sangue de nossos mártires – derramado por se negarem a ser ecumênicos – clama vingança ao céu por tanta falsidade e apostasia.
Nesta guerra não há tons de cinza. Aqui há branco e preto. Aqui há Cristo ou Lúcifer. Vida ou morte. Porque a tibieza acabará sendo vomitada por Deus. Bendito seja o remanescente que rejeita esta corja de impostores, este rebanho de ladinos pastores e de sepulcros caiados, este exército de sombras que hoje campeia à vontade sob a manchada cúpula de São Pedro. Eles não representam a cruz. Eles são a árvore maldita que produziu toneladas de frutos podres, de discórdia e corrupção e, a galope em negros corcéis, se afastam cada dia mais daquela Igreja que Cristo nos deixou como gloriosa e salvífica herança. Eles são o cisma. Eles são anticristos. Eles são anátema.
¡Viva Cristo Rei!
(A seguir, incluem-se 4 "collages" dos frutos produzidos pela seita conciliar e encerramos com a digna imagem de uma Missa tridentina. Note-se a absoluta incompatibilidade e distância entre ambos os cultos).
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