O artigo, intitulado 'A primeira língua da alma', dá continuidade a uma série sobre as artes medievais, abordando agora a quinta das belas artes: a poesia. O autor explica que, após discorrer sobre música, arquitetura, pintura e escultura, é chegada a vez de contemplar a via mediaevalis como via poética.
Keim revela que se encontra em estado de espírito poético porque se prepara para iniciar o ano acadêmico, no qual ajudará estudantes universitários pós-modernos a compreender e apreciar a literatura medieval, que é essencialmente poesia. Ele destaca que, na cultura pré-moderna, 'literário' era praticamente sinônimo de 'poético', e que a prosa de ficção, como os romances, é uma invenção moderna.
O texto ressalta que, para as sociedades pré-modernas, a literatura de valor artístico exigia uma linguagem elaborada, com ritmo, aliteração, metáforas e imagens vívidas. Não bastava uma boa história; a própria forma de expressão deveria ser artística.
O autor cita Chesterton para fundamentar sua tese: 'O grande erro consiste em supor que a poesia seja uma forma de linguagem não natural. Todos nós gostaríamos de falar em poesia no momento em que realmente vivemos... Não é o canto que é algo restrito ou artificial, é a conversa que é uma tentativa fragmentada e gaguejante de cantar... A poesia não deturpa a linguagem falada tanto quanto a linguagem falada deturpa a alma.'
Keim conclui que, embora no estado atual alcancemos a poesia apenas através do estudo e do esforço, quando o espírito humano é libertado da fragilidade do corpo e do peso do pecado, ele não fala: canta. A poesia medieval é, portanto, a expressão mais autêntica da alma, um vislumbre do que seremos na glória.
