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Canadá: peregrinação aos Santos Mártires apesar da proibição do Cardeal de Toronto

7 de outubro de 2026 às 02:37

Canadá: peregrinação aos Santos Mártires apesar da proibição do Cardeal de Toronto

Fiéis católicos tradicionais canadenses realizaram uma peregrinação ao santuário dos Santos Mártires Canadianos, em Midland, Ontário, desafiando a proibição imposta pelo Cardeal Thomas Collins, Arcebispo de Toronto, que havia vetado a celebração da Missa Tradicional no local. O episódio reacende a tensão entre os fiéis ligados à liturgia tradicional e a hierarquia eclesiástica no Canadá, no contexto das restrições impostas pelo motu proprio Traditionis Custodes.

Fiéis católicos tradicionais canadenses realizaram uma peregrinação ao santuário dos Santos Mártires Canadianos, em Midland, Ontário, desafiando a proibição imposta pelo Cardeal Thomas Collins, Arcebispo de Toronto, que havia vetado a celebração da Missa Tradicional no local. O episódio reacende a tensão entre os fiéis ligados à liturgia tradicional e a hierarquia eclesiástica no Canadá, no contexto das restrições impostas pelo motu proprio Traditionis Custodes.

A peregrinação anual ao santuário dos Santos Mártires Canadianos, em Midland, Ontário, ocorreu neste ano apesar da proibição expressa do Cardeal Thomas Collins, Arcebispo de Toronto, que havia comunicado aos organizadores a impossibilidade de se celebrar a Missa Tradicional no recinto do santuário. O evento, que reúne tradicionalmente centenas de fiéis devotos dos mártires jesuítas do século XVII, foi mantido pelos organizadores, que buscaram alternativas para garantir a realização das cerimônias religiosas fora dos limites da propriedade controlada pela diocese.

O santuário de Midland é dedicado aos oito missionários jesuítas — entre eles São João de Brébeuf e Santo Isaac Jogues — que foram martirizados entre 1642 e 1649 na região dos Grandes Lagos, durante as guerras entre as nações iroquesas e huronas. Os chamados Mártires Canadianos são considerados padroeiros do Canadá e sua memória é particularmente cara aos católicos tradicionalistas, que veem neles um exemplo de fidelidade heroica à fé em tempos de perseguição.

A proibição imposta pelo Cardeal Collins insere-se no contexto mais amplo das restrições à Missa Tradicional em latim estabelecidas pelo motu proprio Traditionis Custodes, publicado pelo Papa Francisco em julho de 2021. O documento determinou que os bispos diocesanos têm autoridade para regular a celebração da forma extraordinária do rito romano em suas jurisdições, e muitos prelados têm utilizado essa faculdade para restringir ou suprimir completamente tais celebrações.

Segundo relatos de participantes, a peregrinação deste ano contou com a presença de fiéis vindos de diversas partes do Canadá e também dos Estados Unidos, que se reuniram para rezar diante do local do martírio dos santos jesuítas. A organização do evento teria buscado uma propriedade alternativa nas proximidades do santuário, onde a Missa Tradicional pôde ser celebrada sem a interferência da autoridade diocesana, garantindo assim a continuidade da tradição de peregrinação que remonta a décadas.

Os organizadores manifestaram sua decepção com a decisão do Cardeal Collins, argumentando que a devoção aos Mártires Canadianos é um patrimônio espiritual de toda a Igreja no Canadá e que a celebração da Missa Tradicional no local seria uma expressão legítima dessa devoção. Eles destacaram ainda que a peregrinação tem caráter pacífico e devocional, não constituindo qualquer ato de protesto ou desafio à autoridade eclesiástica, mas sim um exercício de piedade popular enraizado na história católica do país.

A decisão do Arcebispo de Toronto não é um caso isolado. Nos últimos anos, diversos bispos canadenses têm adotado medidas restritivas semelhantes, seguindo as orientações da Santa Sé. Em algumas dioceses, a Missa Tradicional foi completamente suprimida, enquanto em outras foram impostas condições rigorosas para sua celebração, como a exigência de que os fiéis não utilizem igrejas paroquiais e que as celebrações ocorram apenas em capelas específicas designadas pela autoridade local.

O episódio de Midland reacende o debate sobre a liberdade religiosa dos fiéis ligados à liturgia tradicional e sobre a interpretação do Traditionis Custodes. Críticos das restrições argumentam que o motu proprio não pretendia suprimir a Missa Tradicional, mas apenas regular sua celebração, e que decisões como a do Cardeal Collins acabam por penalizar os fiéis que simplesmente desejam participar da liturgia que foi norma da Igreja por séculos.

A peregrinação aos Mártires Canadianos tem uma dimensão histórica e espiritual que transcende as disputas litúrgicas contemporâneas. Os mártires jesuítas deram suas vidas pela evangelização dos povos indígenas da América do Norte, e sua memória é celebrada não apenas pelos católicos tradicionalistas, mas por toda a Igreja canadense. A insistência dos fiéis em manter a peregrinação, mesmo diante da proibição, demonstra a vitalidade de uma devoção que resiste às adversidades e às mudanças de orientação pastoral.

Até o momento, não houve manifestação oficial da Arquidiocese de Toronto sobre a realização da peregrinação fora dos limites do santuário, nem sobre eventuais consequências para os organizadores ou participantes. A expectativa é de que o caso continue a gerar discussões sobre a relação entre a hierarquia e os fiéis tradicionalistas no Canadá, em um momento de particular tensão na vida da Igreja universal.


📎 Fonte original: Fsspx

📷 Foto: Hugo Martínez via Pexels — A vibrant religious procession in front of a historic church entrance, adorned with lush greenery and engaging participation.

📎 Fonte original: Fsspx

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