Após um ataque aéreo que matou cinco civis no bairro de Rimal, na Cidade de Gaza, incluindo duas cristãs greco-ortodoxas, o Papa Leão XIV enviou mensagem ao pároco da Sagrada Família, Pe. Gabriel Romanelli, assegurando suas orações e clamando pela paz na Terra Santa: “Até quando, Senhor?”.
A comunidade católica da Faixa de Gaza voltou a ser atingida pela violência do conflito entre israelenses e palestinos. Um ataque aéreo recente atingiu um edifício residencial no bairro de Rimal, na região oeste da Cidade de Gaza, deixando cinco civis mortos e várias pessoas feridas. Entre as vítimas estavam Maysa Khader Ibrahim Abu Daoud e sua filha, Mary Hafez Michel Najjar, ambas cristãs de tradição greco-ortodoxa e integrantes da comunidade cristã local. Segundo o relato do pároco da Sagrada Família, Pe. Gabriel Romanelli, mãe e filha haviam encontrado recentemente um lugar onde esperavam reconstruir a vida e começar novamente.
Diante da tragédia, Papa Leão XIV manifestou sua proximidade com a comunidade de Gaza e assegurou suas orações pelas vítimas e por todos aqueles que trabalham pela paz. Em uma mensagem enviada por WhatsApp ao Pe. Romanelli, o Pontífice expressou também preocupação diante da continuidade da violência e formulou uma pergunta que traduz o sofrimento de tantas pessoas na região: “Até quando, Senhor?”. O Papa agradeceu ainda ao sacerdote e à comunidade pelo trabalho de acompanhamento espiritual e humano realizado em meio à guerra. “Bom dia, padre Gabriel. Desde que tomei conhecimento da dolorosa notícia da morte de Maysa e Mary, rezo a Deus por elas, por suas famílias e por toda a comunidade de Gaza. Até quando, Senhor? Obrigado pelo apoio à paróquia e a tantas pessoas que desejam viver em paz. Bênçãos e um abraço afetuoso”.
Comunidade cristã sofre com a guerra
De acordo com o Padre Romanelli, a comunidade cristã local também sofreu perdas significativas desde o início do conflito. Segundo o sacerdote, 62 cristãos morreram até o momento, sendo 25 deles em consequência de ataques aéreos. Embora a atual situação seja descrita como um período de cessação das hostilidades mais intensas, o sacerdote alerta que a realidade continua extremamente grave. A população enfrenta falta de alimentos e outros bens essenciais, enquanto organizações humanitárias encontram dificuldades para manter a distribuição de ajuda. Para Romanelli, a assistência que chega à população ainda está muito aquém das necessidades. Por isso, ele insiste na necessidade de ampliar significativamente o fluxo de ajuda humanitária destinada aos habitantes de Gaza.
Mesmo diante das dificuldades, a paróquia procura manter sua missão. O sacerdote descreve a comunidade como uma “oásis de espiritualidade e humanidade”, chamada a permanecer ao lado das pessoas e a contribuir para a construção da paz e da justiça. Assim, além da oração e das celebrações religiosas, a paróquia procura continuar suas atividades pastorais e seu trabalho de assistência, apesar das circunstâncias extremamente dolorosas.
Rosário pelo fim da guerra
A proximidade do aniversário do ataque terrorista realizado pelo Hamas em Israel, em 7 de outubro de 2023, reveste este período de particular significado. O episódio desencadeou a atual guerra e deixou profundas marcas tanto entre israelenses quanto entre palestinos. Segundo o Padre Romanelli, as duas populações continuam carregando o trauma provocado pela violência. Por isso, a comunidade cristã pretende transformar a memória dolorosa em uma oportunidade de oração e esperança. Para o dia 7 de outubro, a paróquia programou um dia dedicado à oração do Santo Rosário pela paz, que será concluído com uma Missa e uma procissão simbólica. A intenção será pedir o fim da guerra, justiça e paz entre israelenses e palestinos. A iniciativa atende o apelo do Papa Leão XIV, que também convidou os fiéis, durante a oração do Angelus, a rezarem pela paz no mundo, com atenção especial à Terra Santa e às vítimas inocentes da violência.
📎 Fonte original: Gaudiumpress
