Durante a sessão de perguntas ao governo na terça-feira, Marine Le Pen interpelou o primeiro-ministro sobre a morte de Lhyanna, uma menina de 11 anos assassinada por um homem já conhecido como pedófilo, um predador identificado, mas nunca detido nem neutralizado. A líder política afirmou que a tristeza do povo francês ecoou a da família e dos entes queridos, transformando-se em uma raiva justificada: 'Esta pequena foi sacrificada no altar da negligência de um Estado cujo aparelho judiciário falhou, um Estado atolado na negação da explosão da criminalidade contra crianças e na cultura generalizada do "não causar ondas".'
Le Pen destacou que uma série de revelações pinta um quadro geral assustador e condenatório, no qual se inscreve esse drama. O caso ocorre após o escândalo do serviço extracurricular parisiense, que gerou acusações de tamanha magnitude que ultrapassam claramente a falha individual, enquanto o silêncio protegeu os algozes e a complacência entregou as jovens e infelizes vítimas ao indizível e ao irreparável. A deputada questionou: 'E o que dizer de tantos outros casos, de Epstein às crianças da ASE, cativas de redes de prostituição, passando pelo caso Bétharram?'
Para Le Pen, o drama tem múltiplas causas, todas de natureza política: a relutância do governo em tratar com absoluta firmeza as violações à integridade física, especialmente das crianças; a negação diante da explosão da criminalidade, que leva à recusa de alocar recursos adicionais para enfrentá-la; a cegueira em relação à delinquência juvenil, que sobrecarrega as instituições responsáveis por vítimas menores; a falta recorrente de vagas prisionais, que enfraquece toda a cadeia penal; e, especialmente, 'as ideias perversas sobre a sexualização das crianças difundidas em certos meios culturais durante os anos 1970 e propagadas por setores inteiros do pensamento dito progressista'.
A líder política ressaltou que o governo não é exclusivamente responsável por essas derivas, que duram décadas, mas preferiu ocultá-las. Como prova, citou a ocultação voluntária do relatório entregue pela Ciivise (Comissão Independente sobre Incesto e Violência Sexual contra Crianças) em 2023. Ela perguntou: 'O senhor pretende refazer tudo para que os franceses possam recuperar sua confiança, terrivelmente abalada?'
O tempo de Le Pen esgotou-se, e a presidente da sessão cortou o microfone da oradora. O discurso, porém, ecoou a indignação de muitos franceses diante da falência do sistema de proteção infantil e da influência de ideologias que, segundo a deputada, normalizam a sexualização precoce de crianças, abrindo caminho para tragédias como a de Lhyanna.
