A Igreja celebra em 12 de outubro a memória litúrgica de São Carlo Acutis, canonizado por Leão XIV em 7 de setembro de 2025. O filme "Meu nome é Carlo", exibido na Itália em 23 de setembro de 2026, alcançou 4,269 milhões de espectadores e quase 30% de share, um sucesso extraordinário que surpreendeu até os responsáveis da Mediaset. Mais do que o "santo da internet", Carlo foi um adolescente apaixonado pela Eucaristia, devoto de Nossa Senhora de Fátima e consciente das realidades últimas: morte, juízo, inferno e céu.
Em 12 de outubro, a Igreja celebra o dia litúrgico de São Carlo Acutis, que foi canonizado em 7 de setembro de 2025 por Leão XIV na Praça de São Pedro. O filme dedicado a ele, dirigido por Giacomo Campiotti, "Meu nome é Carlo", exibido em 23 de setembro de 2026 na emissora Canale 5, alcançou 4,269 milhões de espectadores e quase 30% de share — um sucesso extraordinário que surpreendeu até os responsáveis da Mediaset, que produziram o filme.
Carlo Acutis, que morreu em 12 de outubro de 2006 com apenas 15 anos, foi um adolescente que pertencia inteiramente ao seu tempo. Devido à sua habilidade em utilizar os meios técnicos modernos, foi até chamado de "santo da internet". No entanto, essa expressão corre o risco de obscurecer a luz que guiava sua alma. "Estar sempre unido a Jesus — esse é o meu programa de vida", escreveu ele ainda criança. A esse programa quis permanecer fiel até sua doença, uma leucemia fulminante que o levou à morte em apenas dez dias — com apenas quinze anos de idade.
Carlo nasceu em 3 de maio de 1991, em Londres, numa família italiana abastada que residia ali devido à atividade profissional de seu pai. Poucos meses depois, a família retornou a Milão. Lá, frequentou inicialmente a escola das Irmãs Marcelinas e, em seguida, o ginásio do Instituto Leão XIII. Em 16 de junho de 1998, aos sete anos, recebeu a Primeira Comunhão. A partir desse momento, a Eucaristia tornou-se o centro de sua vida diária. Ele chamava a Eucaristia de sua "autoestrada para o céu". Com uma imagem familiar a um adolescente, designava a presença real de Cristo como o caminho pelo qual queria andar. "Chega-se diretamente ao céu", dizia ele, "quando se recebe a Eucaristia todos os dias!"
Carlo estava convencido de que o momento decisivo para pedir graças ao Senhor era a consagração. Após a consagração, dizia ao Senhor: "Pelo Santíssimo Coração de Jesus e pelo Imaculado Coração de Maria, apresento-te todas as minhas súplicas e peço-te que as ouças" (Nicola Gori, Eucaristia. Minha autoestrada para o céu. Biografia de Carlo Acutis (1991–2006), San Paolo, 2024, p. 89). A comunhão diária ele unia à oração do Rosário e, sempre que possível, à adoração do Santíssimo Sacramento. Após uma visita à gruta de São Miguel Arcanjo no Gargano, começou também a rezar a Coroa dos Anjos, dedicada aos nove coros angélicos. Sua fé incluía também uma viva consciência do pecado e da necessidade da confissão. Em sua vida espiritual, tinha sempre diante dos olhos as chamadas realidades últimas: morte, juízo, inferno e céu. Certa vez, disse: "Se as almas realmente correm o risco de se perder — como muitos santos testemunharam e também as aparições de Fátima confirmaram —, pergunto-me por que hoje quase não se fala mais do inferno. Pois ele é algo tão terrível e assustador que só o pensamento me causa medo" (N. Gori, op. cit., p. 81).
Leão XIV, em sua homilia na canonização, recordou uma frase de Carlo: "A única coisa que realmente devemos temer é o pecado". A santidade, aos seus olhos, não era um sentimento vago, mas uma vida que extrai sua força dos sacramentos e está orientada para a salvação eterna. A caridade de Carlo tinha destinatários concretos. Ele conduziu ao catolicismo Rajesh, empregado de sua casa e amigo fiel, que era hindu. Após o batismo, preparou-o para receber os sacramentos da Eucaristia e da Confirmação. Dava catequese a crianças, ajudava as pessoas que encontrava em seu bairro e dedicava seu tempo aos pobres. Frequentava cozinhas comunitárias e cuidava dos sem-teto. Também usava parte do dinheiro que recebia de seus pais para apoiar generosamente pessoas necessitadas. Graças aos seus conhecimentos de informática, desenvolveu uma exposição internacional sobre milagres eucarísticos. Para isso, reuniu fotografias, informações históricas e documentos sobre numerosos eventos. A escolha desse tema mostra o que lhe era particularmente caro. Carlo perguntava-se como era possível que tantas pessoas estivessem dispostas a enfrentar longas filas por um show, enquanto poucas permaneciam diante do sacrário. Os relatos sobre milagres eucarísticos deveriam, em seu projeto, convidar a redescobrir o mistério que se realiza diariamente sobre o altar.
A devoção à Virgem Maria, a quem se consagrou, ocupava um lugar fixo em sua vida. Visitou Lourdes e Fátima. Cultivava a devoção das primeiras sextas-feiras do mês e, sobretudo, a dos primeiros sábados do mês, que a Mãe de Deus pediu em Fátima. A Irmã Lúcia morreu em 13 de fevereiro de 2005, aos 97 anos, no convento de Coimbra. Poucos dias após sua morte, Carlo sonhou com a vidente de Fátima. Ela lhe disse que, pela prática dos Cinco Primeiros Sábados do mês, se poderia mudar os destinos do mundo. Carlo esteve em Roma no Ano Santo de 2000 e visitou a Praça de São Pedro. Naquela ocasião, os bispos de todo o mundo, juntamente com o Papa João Paulo II, realizaram a consagração do novo milênio à Virgem Maria. Carlo ficou profundamente comovido ao ver que a estátua de Nossa Senhora de Fátima havia sido trazida especialmente de Portugal. Quando adoeceu subitamente em outubro de 2006, alguns dias antes de ser internado no hospital San Gerardo, em Monza, disse a seus pais: "Ofereço ao Senhor todos os sofrimentos que devo suportar, pelo Papa e pela Igreja, para que eu não vá para o purgatório, mas diretamente para o céu". Em 12 de outubro, às 6h45, seu coração parou de bater — na véspera do dia em que se celebra em Fátima a última aparição da Mãe de Deus. A vida de Carlo se cumpriu nessa entrega, depois de ter aprendido ao longo dos anos a buscar o Senhor na oração e na adoração.
A Igreja o beatificou em 10 de outubro de 2020, em Assis, e o canonizou cinco anos depois, em Roma, após o reconhecimento de dois milagres. Seus restos mortais repousam hoje na igreja de Santa Maria Maior, em Assis. Durante a cerimônia de canonização, Leão XIV retomou uma das frases que resumem de modo particularmente preciso o caminho de São Carlo Acutis: "Não eu, mas Deus". Numa época que convida a colocar-se no centro e a esquecer Deus e o próximo, essas quatro palavras apontam para uma outra perspectiva — uma perspectiva teocêntrica e sobrenatural. Carlo não renunciou às possibilidades que seu tempo lhe oferecia, mas aprendeu a ordenar tudo ao amor de Deus. Por isso, sua figura atrai tanto jovens quanto adultos: recorda a todos que uma vida pode ser breve e, ainda assim, plena, se encontrar seu centro na Eucaristia e na devoção à Virgem Maria e, a partir desse espírito, viver o amor ao próximo e o testemunho público da própria fé.
*Roberto de Mattei, historiador, pai de cinco filhos, professor de História Moderna e História do Cristianismo na Universidade Europeia de Roma. De Mattei é também autor de numerosas obras de referência, presidente da Fundação Lepanto para a preservação da tradição católica, editor do intermédio Corrispondenza Romana e da revista mensal Radici Cristiane. De 2002 a 2011, foi vice-presidente do Conselho Nacional de Pesquisa italiano (CNR), responsável pelas ciências humanas. Publicou mais de trinta livros, traduzidos em várias línguas. Tradução: Giuseppe Nardi. Imagem: Corrispondenza Romana.
📎 Fonte original: Katholisches
