Uma religiosa da Ordem dos Pregadores, a Irmã Barbara Reid, afirmou durante uma conferência que Jesus Cristo estaria 'flertando' com a mulher samaritana no episódio do poço de Jacó narrado no Evangelho de São João, provocando indignação entre fiéis católicos tradicionais que veem na declaração uma grave distorção do sentido espiritual das Escrituras e uma profanação da santidade de Cristo.
Uma freira dominicana causou polêmica ao sugerir que Jesus Cristo estava 'flertando' com a mulher samaritana no episódio do poço de Jacó, conforme narrado no quarto capítulo do Evangelho de São João. A declaração foi feita pela Irmã Barbara Reid, religiosa da Ordem dos Pregadores e presidente emérita do Catholic Theological Union, durante uma conferência ou apresentação cujo conteúdo veio a público recentemente, gerando forte reação entre católicos fiéis à doutrina tradicional.
Segundo o relato, a religiosa teria utilizado a expressão 'flertando' para descrever a atitude de Nosso Senhor Jesus Cristo durante o diálogo com a samaritana junto ao poço. No texto evangélico, Cristo pede água à mulher, revela conhecer sua vida pregressa — ela tivera cinco maridos e o homem com quem vivia não era seu esposo — e oferece-lhe a 'água viva' que salta para a vida eterna, conduzindo-a à conversão e ao testemunho diante de seus concidadãos samaritanos.
A interpretação proposta pela Irmã Barbara Reid choca-se frontalmente com a leitura tradicional da Igreja, que sempre compreendeu o episódio como um encontro de misericórdia, revelação messiânica e chamado à conversão. Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, dirige-se à samaritana para revelar-se como o Messias esperado e para perdoar seus pecados, não para cortejar ou flertar com ela. A expressão utilizada pela religiosa reduz o mistério da encarnação e da redenção a uma categoria mundana e afetiva, incompatível com a santidade de Cristo e com a reverência devida às Sagradas Escrituras.
A declaração insere-se num contexto mais amplo de interpretações teológicas heterodoxas que, nas últimas décadas, têm buscado reinterpretar passagens bíblicas à luz de categorias contemporâneas de gênero, sexualidade e relações afetivas. Tais abordagens, segundo críticos, esvaziam o sentido sobrenatural das Escrituras e submetem a Revelação divina a modismos acadêmicos e ideológicos, comprometendo a fidelidade ao depósito da fé transmitido pelos Apóstolos e pelos Padres da Igreja.
A Irmã Barbara Reid é conhecida por posições teológicas progressistas e por seu envolvimento em iniciativas que promovem a ordenação de mulheres e outras mudanças na disciplina e na doutrina da Igreja. Sua atuação no Catholic Theological Union, instituição de teologia sediada em Chicago, tem sido marcada por publicações e conferências que frequentemente se afastam da ortodoxia católica e provocam preocupação entre os fiéis que zelam pela integridade da fé.
O episódio da samaritana, ao contrário do que sugere a interpretação da religiosa, é um dos mais ricos em significado teológico no Evangelho de João. Nele, Cristo revela-se explicitamente como o Messias à mulher — 'Eu sou, eu que falo contigo' —, algo que não fizera de modo tão direto a outros interlocutores. A samaritana, por sua vez, deixa seu cântaro e corre à cidade para anunciar que encontrara o Cristo, tornando-se, segundo a tradição, a primeira evangelizadora dos samaritanos. A cena é lida pela Igreja como figura do Batismo e da graça santificante, que purifica a alma e a conduz à vida eterna.
A reação de católicos tradicionais nas redes sociais e em veículos de imprensa católicos foi imediata, com muitos manifestando indignação diante do que consideram uma profanação do Evangelho e uma falta de reverência para com a Pessoa de Cristo. A sugestão de que o Salvador estivesse 'flertando' com uma mulher é vista como particularmente grave por reduzir a dignidade do Verbo Encarnado a comportamentos humanos de sedução, incompatíveis com sua missão redentora e com sua santidade infinita.
Este não é o primeiro caso de declarações heterodoxas vindas de membros do clero ou de religiosos no período pós-conciliar. Nos últimos anos, multiplicaram-se episódios em que sacerdotes, bispos e religiosos proferiram afirmações que, segundo críticos, contradizem a doutrina católica sobre a natureza de Deus, a pessoa de Cristo, os sacramentos e a moral sexual. Tais episódios alimentam a percepção de uma crise doutrinal profunda na Igreja contemporânea e reforçam o apelo de muitos fiéis por um retorno à fidelidade integral ao Magistério perene.
A doutrina católica sempre ensinou que Cristo é o Verbo de Deus encarnado, sem pecado, e que sua humanidade santíssima é isenta de qualquer concupiscência ou inclinação desordenada. Atribuir a Ele comportamentos de flerte ou sedução constitui, portanto, não apenas um erro exegético, mas uma ofensa à fé cristã e um escândalo para os fiéis. A Igreja exorta os teólogos e religiosos a submeterem suas interpretações ao juízo do Magistério e a não difundirem opiniões que possam confundir ou escandalizar o povo de Deus.
O caso da Irmã Barbara Reid reacende, assim, o debate sobre a qualidade da formação teológica nas instituições católicas e sobre a necessidade de vigilância doutrinal por parte das autoridades eclesiásticas. Fiéis em todo o mundo continuam a acompanhar com apreensão a disseminação de interpretações que, sob o pretexto de atualizar a mensagem evangélica, acabam por esvaziá-la de seu conteúdo sobrenatural e por desfigurar a figura de Cristo, único Salvador e modelo perfeito de santidade.
📎 Fonte original: Novusordowatch
📷 Foto: RDNE Stock project via Pexels — A nun in traditional habit reading a bible inside a beautifully lit church.
