O Papa Leão XIV nomeou Dom Vittorio Francesco Viola, de 61 anos, como novo arqui-sacerdote da Basílica de São Pedro. Ele sucede ao cardeal Mauro Gambetti, que foi nomeado para a liderança da diocese de Chieti-Vasto, uma circunscrição eclesiástica italiana situada na região dos Abruzzos. A nomeação foi divulgada pelo portal católico tradicional Le Salon Beige e representa uma guinada conservadora na gestão da principal basílica da cristandade.
Dom Vittorio Francesco Viola é membro da Ordem dos Frades Menores, os franciscanos, assim como o cardeal Gambetti. Doutor em liturgia, Viola ocupava desde maio de 2021 o cargo de secretário do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. Foi ele o responsável por levar adiante o infame texto Traditionis custodes, o motu proprio pelo qual o Papa Francisco restringiu severamente o uso da missa tradicional em latim, revogando as facilidades concedidas anteriormente por Bento XVI na Summorum Pontificum.
A situação da missa tradicional na Basílica de São Pedro já vinha sendo alvo de restrições desde março de 2021. Até aquela data, os sacerdotes podiam celebrar sozinhos suas missas nos altares laterais da basílica. Essas missas individuais foram suprimidas, e os padres foram convidados a concelebrar, em conjunto, em horário fixo. A missa tradicional foi relegada a uma capela das grutas, situada sob a basílica, num claro sinal de desprezo pela forma extraordinária do rito romano.
Após a partida do cardeal Gambetti, alguns fiéis e sacerdotes esperavam que as restrições sobre as celebrações privadas e em latim fossem levantadas. No entanto, a nomeação de Dom Viola, um dos principais artífices do Traditionis custodes, frustrou essas expectativas e sinaliza que a política de cerceamento da missa tradicional deve continuar ou até se intensificar na Basílica de São Pedro.
Além da nomeação de Viola, o Papa Leão XIV também nomeou o novo secretário do Dicastério para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos: Dom Aurelio García Marcías, até então subsecretário do mesmo dicastério. Nascido em 28 de março de 1965 em Pollos, na Espanha, foi ordenado sacerdote para a arquidiocese de Valladolid em 1992. Obteve licenciatura em filosofia pela Universidade de Salamanca e doutorado em liturgia pelo Instituto Pontifício Litúrgico Santo Anselmo.
Dom Aurelio García Marcías trabalha na Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos desde 10 de setembro de 2015, tendo se tornado chefe de escritório em 2016. Sua promoção a secretário do dicastério indica continuidade na linha de rigor litúrgico e centralização romana, em consonância com as diretrizes estabelecidas nos últimos anos.
A nomeação de Dom Viola para a Basílica de São Pedro é particularmente significativa porque a basílica é o coração da cristandade e um símbolo da universalidade da Igreja. A presença de um arqui-sacerdote abertamente hostil à missa tradicional pode levar a um endurecimento ainda maior das normas para os sacerdotes que desejam celebrar segundo o rito antigo, bem como para os fiéis que buscam assistir a essas missas.
O portal Le Salon Beige, que divulgou a notícia, é conhecido por sua defesa da tradição católica e tem acompanhado com preocupação as medidas restritivas contra a liturgia tradicional. A reportagem original destaca que Dom Viola é um "virulento opositor" da missa tradicional, e sua ascensão a um cargo de tanto prestígio na basílica vaticana representa um duro golpe para os católicos apegados à forma extraordinária do rito romano.
A expectativa agora é de que os fiéis tradicionalistas redobrem suas orações e resistam pacificamente a essas medidas, buscando manter viva a herança litúrgica da Igreja. A nomeação também lança luz sobre a direção do pontificado de Leão XIV, que parece disposto a manter e aprofundar as restrições impostas por seu antecessor, contrariando os anseios de uma parcela significativa do clero e dos leigos.
📎 Fonte original: Lesalonbeige
