Há uma imagem que Tomás de Aquino carrega consigo ao longo de toda a sua vida: a de um homem que não se contenta. Não no sentido vulgar do ganancioso, mas no sentido nobre de quem sente que a realidade é maior do que qualquer resposta já dada, e que parar seria uma forma de deslealdade para consigo mesmo e para com Deus. Aristóteles havia aberto sua Metafísica com uma frase que se tornou pedra: «Todos os homens, por natureza, desejam conhecer». Tomás a recolhe e a leva até suas consequências mais radicais. Para ele, a tarefa do verdadeiro sábio é a de «procurar investigar todo o saber». Não é um programa acadêmico: é uma antropologia. Diz o que somos. Somos, como ele afirma com precisão, «em sentido estrito, animais racionais», e a racionalidade não é um ornamento da alma, mas a própria forma do corpo, o princípio que nos constitui inteiramente. A alma racional é a única verdadeira forma do composto humano. Por isso, a beatitude plena não pode dar-se sem o corpo: mesmo alcançada a visão beatífica de Deus após a morte individual, a beatitude «não será plena, porque o homem ainda não estará reintegrado e completo». «O homem é sempre, indissoluvelmente, alma e corpo.» Há algo de comovente nesta fidelidade ao corpóreo, em uma época que tendia a ver a carne como lastro. Vem à mente Pascal, séculos depois: «O homem não é anjo nem besta, e a desgraça quer que quem faz o anjo faz a besta» (Pensamentos, fr. 678, ed. Brunschvicg). Tomás teria compartilhado a intuição, mas a teria invertido em positivo: justamente porque não somos anjos, justamente porque somos carne que pensa, nosso destino é conhecer através do real, e não apesar dele.
Essa abordagem produz uma metafísica severa e luminosa ao mesmo tempo, aquela que Tomás chama de distinção entre ser e essência, ou seja, entre a existência de uma coisa e sua natureza. Em toda criatura, essas duas dimensões permanecem distintas: pode-se pensar o que é um cavalo sem que esse pensamento faça existir um cavalo. Somente em Deus essência e ser coincidem perfeitamente. Todas as coisas, «mesmo as criaturas imateriais, sem corpo, como por exemplo os anjos», têm ao menos uma forma de composição entre sua essência e seu ser. A única exceção é Deus. Mas atenção: essa tese tem em Tomás um alcance predominantemente apofático, negativo. «Dizer que Deus é apenas ser significa que não temos instrumentos conceituais adequados para pensar Deus», e todos os atributos que Lhe referimos são, na verdade, atributos puramente analógicos. A verdadeira cesura na realidade não é entre o corpóreo e o imaterial, mas entre o que está acima de qualquer conteúdo objetivável, Deus, «cuja essência se traduz no ser», e tudo o que, junto com o ser, possui uma determinação objetiva e formal. Deus como o próprio ser tem em Tomás «mais um alcance apofático ou negativo do que um teor positivo, como se Deus fosse o ser sumo determinável e concebível como tal.»
Daí as cinco vias, as célebres demonstrações da existência de Deus na Suma Teológica. Elas se apoiam no «mecanismo da causalidade e da impossibilidade de um regresso ao infinito nas causas». Da primeira via, que remonta ao motor imóvel, à quinta, segundo a qual «todas as criaturas, mesmo as não dotadas de racionalidade, são orientadas para o fim por uma primeira causa final inteligente», o percurso é rigoroso. Contudo, essas vias «não se encerram com a fórmula: logo Deus existe; encerram-se dizendo que existe uma causa primeira ou um termo primeiro, que é o que todos chamam de Deus.» Deus aparece sempre «em forma ou função de predicado, e não como sujeito.» As vias demonstram filosoficamente a existência de uma causa primeira, «mas não nos dizem nada sobre como Deus é em si mesmo.» Kierkegaard diria que a fé começa exatamente onde a demonstração termina. Tomás não o negaria. Mas acrescentaria que a demonstração é necessária, não para forçar a fé, mas para preparar o intelecto a recebê-la sem desonrá-la.
E aqui se abre o coração de sua visão do homem. A felicidade, o fim último, «oferece-nos a cifra talvez mais significativa do pensamento de Tomás, ou seja, a ideia de que somos feitos essencialmente para conhecer.» Enquanto criaturas racionais, «temos como destino último e apropriado o de procurar conhecer o máximo possível.» Mesmo a visão beatífica de Deus é finalizada, na ótica de Tomás, «ao fato de poder conhecer, através do espelho da essência divina, todas as essências inteligíveis, portanto poder conhecer tudo, tornar-nos nós mesmos um espelho inteligível.» Amar a Deus, para os franciscanos, é o objetivo último da existência humana. Para Tomás, o amor é apenas uma consequência: «o verdadeiro objetivo fundamental de nossa existência é, ao contrário, conhecer a Deus, quanto nos é possível, e, através de Deus, conhecer tudo.»
Há algo de vertiginoso nessa proposta. Em uma época em que o saber se fragmenta e se especializa até o irreconhecível, Tomás coloca um ideal radical e contracorrente. Não por vaidade enciclopédica, mas porque cada fragmento de realidade conhecida é um reflexo do ser que o fundamenta. Ignorá-lo voluntariamente seria já uma forma de ingratidão para com a própria natureza. Como um monge que continua «até os últimos meses de sua vida a ler e comentar Aristóteles, a ler os neoplatônicos, a ler outros tratados científicos», não porque deva fazê-lo, mas porque não pode parar de querer compreender.
