Desde os primórdios do Cristianismo, os discípulos de Jesus reúnem-se no domingo, primeiro dia da semana, para celebrar a ressurreição do Senhor. Esta tradição, que remonta aos tempos apostólicos, é um testemunho vivo da fé da Igreja. O domingo é o dia em que Cristo venceu a morte e saiu vitorioso do sepulcro, e também o dia em que o Pai e o Filho enviaram o Espírito Santo à Igreja, para guardá-la na verdade, dirigi-la e santificá-la. O Espírito é a alma da Igreja, sua vida, assim como nossa alma é para nosso corpo. Por isso, os Apóstolos transferiram o dia de Deus do sábado para o domingo.
O domingo é também o dia da Igreja, quando todo o Corpo Eclesial do Senhor se reúne para a Santa Missa, sacrifício de Cristo e de toda a Igreja. Todos os fiéis batizados, unidos em oração, oferecem o Salvador do mundo ao Pai celeste, com o sacerdote e por meio do sacerdote. Em troca, o Pai abençoa a assembleia e dá Seu Filho como alimento. Que grandeza! Que maravilha! O domingo é o dia dos dias, revela o sentido do tempo, é uma festa e prefigura o dia final do retorno de Cristo no fim do mundo. Ele nos recorda nossa condição humana e nos leva ao essencial de nosso estado de filhos de Deus, colocando-nos diante das grandes verdades sobre Deus e sobre nós mesmos.
O domingo é, finalmente, um dia de alegria, calma e descanso, especialmente em família. Deve ser uma ruptura com o trabalho e o ritmo habitual das ocupações da semana. Como escreveu Leão XIII na encíclica Rerum Novarum, 'o descanso dominical é um direito do trabalhador que deve ser garantido pelo Estado'. É um tempo forte da vida familiar, onde o amor e a paz devem dominar, para respirar e recarregar as energias.
Para uma família cristã, a participação na Missa dominical está no centro de sua vida e da vida da Igreja. Os pais devem participar com seus filhos, formando-os a acompanhá-la bem e mostrando-lhes o motivo profundo do caráter obrigatório do preceito: adorar e agradecer a Deus por seus benefícios, oferecer Jesus juntamente conosco, pedir perdão e obter suas graças. À tarde, pode-se combinar lazer, esporte e piedade. Por que não assistir às vésperas quando possível? Por que não uma atividade esportiva para relaxar o corpo? Por que não aproveitar o descanso dominical para visitar santuários e viver uma experiência de fé mais intensa? De modo geral, as preocupações e tarefas cotidianas devem dar lugar aos valores do espírito. As próprias belezas da natureza podem ser redescobertas e profundamente apreciadas.
Finalmente, o domingo é um dia propício às obras de misericórdia e ao apostolado. Pode acontecer que, na vizinhança ou entre conhecidos, haja doentes, idosos, crianças que, precisamente no domingo, sintam ainda mais vivamente sua solidão, pobreza e sofrimento. Por que não, ocasionalmente, convidar uma pessoa só para a mesa, visitar um doente, dar de comer a uma família necessitada? Assim, o domingo, dia de oração, comunhão e alegria, refletir-se-á sobre as famílias e as sociedades, semeando exemplos e sementes de fé e esperança.
