O relatório, baseado em dados do Human Fertility Database e modelagem demográfica, mostra um aumento massivo no número de mulheres irlandesas sem filhos. Enquanto 30,9% das mulheres nascidas no final dos anos 1950 estavam sem filhos aos 30 anos, esse número saltou para 63,6% entre as mulheres nascidas no início dos anos 1990 (Millennials).
Breda O'Brien, do Instituto Iona, questionou se essa tendência é por escolha ou circunstância. "Muito será não planejado e forçado pelas circunstâncias, como o custo de vida", afirmou. "É preocupante e estamos deslizando para isso sem muita discussão. Antes dos anos 1930, tínhamos taxas semelhantes de falta de filhos na Irlanda, mas isso se devia à pobreza extrema, casamento tardio e baixas taxas de casamento. Supostamente estamos em uma era em que as mulheres têm todas as escolhas possíveis."
"A escolha de ter filhos, que é fundamental, está sendo tirada das jovens", declarou O'Brien. "Está sendo pintada como um tipo de liberdade. Não acho que as próprias jovens considerem isso uma liberdade, e acho que muitas estão preocupadas com isso."
Segundo dados do Escritório Central de Estatísticas, a idade média dos homens que se casam na Irlanda é de quase 38 anos, enquanto a das mulheres é de quase 36. Uma pesquisa de 2022 mostrou que 85% dos irlandeses disseram querer pelo menos dois filhos, e apenas 2% disseram não querer nenhum. Apesar do desejo de ter filhos persistir na sociedade irlandesa, as taxas de natalidade caíram quase 18% na última década.
O'Brien observou que adiar a procriação para os trinta anos torna muito menos provável que a pessoa tenha filhos. "Faz parte de todo o crescimento do individualismo e dessa ideia de que, desde pequenos, as crianças aprendem: você estuda, viaja, organiza sua carreira, se diverte, não se prende, e então, por volta dos 30 anos, pensa em se estabelecer. Mas muitas mulheres na metade dos 30 anos percebem que está cada vez mais difícil engravidar."
"A indústria da fertilidade está crescendo, o que nos mostra que as pessoas estão dispostas a ir a extremos para ter filhos, mas o roteiro de vida que lhes foi apresentado está, na verdade, trabalhando contra seus melhores interesses", afirmou O'Brien. "A natureza não conhece esse roteiro de vida que está sendo apresentado aos jovens."
"É um fenômeno que deveríamos discutir muito mais amplamente se nosso objetivo é ajudar as pessoas a alcançar seus objetivos de vida", continuou. "Acho que entre as pessoas de fé, elas ainda priorizam filhos, família e casamento. A Igreja Católica precisa apoiar essas famílias jovens de todas as formas possíveis." Ela enfatizou que ter menos ou nenhum filho "tem consequências sociais e econômicas muito significativas devido aos efeitos do envelhecimento populacional e da solidão crescente".
O relatório do Instituto Iona destacou os difíceis problemas sociais e econômicos que surgirão com uma população em idade ativa cada vez menor, que precisa cuidar de um número maior de idosos. "Na Irlanda, ainda há um certo respeito pelos idosos, mas uma das terríveis consequências possíveis é que os jovens comecem a ressentir os idosos", alertou O'Brien. Ela também advertiu que a Irlanda pode enfrentar desafios semelhantes aos de países já mais avançados no colapso demográfico. "Outros países estão mais adiante nesse caminho do que nós", disse O'Brien. "Coreia do Sul, ou mesmo Japão, onde estão reaproveitando creches para instalações de cuidados a idosos, passando de fórmula infantil a bebidas fortificadas para idosos, e de produzir fraldas infantis a produtos de incontinência para idosos – este não é um bom caminho que estamos seguindo."
