Um leitor do blog 'Ask Father' levantou uma questão pertinente sobre o uso do véu umeral na Bênção Eucarística. Ele observou que, embora muitos fiéis se oponham à comunhão na mão por respeito às partículas e porque as mãos dos leigos não são consagradas como as do sacerdote, na Bênção o padre utiliza um véu para segurar o ostensório. O leitor pergunta: se o ostensório é um vaso sagrado e as mãos do padre são consagradas para manusear objetos sagrados, por que o véu é necessário?
Padre John Zuhlsdorf, em sua resposta, destaca a importância dos véus no Rito Romano. Ele cita o falecido Bispo Robert C. Morlino, que afirmou que as coisas não podem ser reveladas a menos que sejam primeiro veladas. O padre explica que o véu umeral na Bênção Eucarística serve para enfatizar que a bênção não é dada pelo sacerdote como tal, mas pelo próprio Cristo presente no Santíssimo Sacramento. O véu revela, aos observadores atentos, uma distinção de agência.
Na maioria das bênçãos, o sacerdote abençoa em virtude de suas ordens sagradas, como alter Christus. Ele ergue a mão consagrada e faz o sinal da cruz. Na Bênção Eucarística, porém, ele não abençoa com a mão. Ele cobre as mãos, pega o ostensório e faz o sinal da cruz com o próprio Senhor Eucarístico. Isso mostra que o Senhor está fazendo o sinal de Sua Cruz como bênção, usando as mãos do alter Christus. O véu visualmente 'desface' o ministro, dizendo: 'Esta não é a bênção do Padre! Esta é a bênção de Jesus, verdadeiramente presente diante de seus olhos.'
Isso também explica por que o sacerdote não diz a fórmula habitual de bênção, como 'Benedicat vos omnipotens Deus...'. Durante a bênção, o sacerdote permanece em silêncio enquanto o Sumo Sacerdote abençoa o povo. Há também uma dimensão cerimonial e reverencial: o véu umeral é um ornamento de honra, usado ao manusear algo especialmente sagrado, como na Missa Solene, quando o Subdiácono segura a patena coberta com o véu umeral diante do rosto, como que para desaparecer simbolicamente.
Padre Zuhlsdorf elogia a sabedoria dos que elaboraram o Rito Romano, transmitido com amor e reverência por séculos, com ajustes ocasionais para polir e aperfeiçoar. Em contraste, ele critica os 'quebradores de ritos' do século XX, que trataram o dom vivo e organicamente desenvolvido como um cortador de grama ou um conjunto de Lego, produzindo uma 'máquina de ruído' que também machuca, como pisar em um Lego com o pé descalço ao se aproximar da sarça ardente do mistério.
Em suma, o véu umeral na Bênção Eucarística ensina os fiéis a olhar além do ministro para Aquele que ele carrega. O sacerdote, embora ordenado e consagrado, recua diante da presença sacramental do Senhor. Suas mãos consagradas estão a serviço do mistério.
