O incidente ocorreu na pequena cidade de Villanueva del Río y Minas, na província de Sevilha, Espanha. Segundo Hurtado, o padre o abordou após a Missa de 30 de maio e pediu para conversar sobre um 'assunto um tanto desagradável'. O religioso teria dito que nunca mais lhe daria a comunhão, afirmando que, ao fazê-lo, estaria lhe dando 'veneno' e que tanto ele quanto seu marido eram pessoas 'indignas' e condenadas a viver eternamente no purgatório.
Hurtado reagiu imediatamente, elevando a voz e gritando para todos os presentes na porta da igreja o que o padre havia dito. 'Fiquei muito nervoso e humilhado pelo meu pastor', declarou. 'Em meus 40 anos como cristão, nunca me aconteceu algo tão terrivelmente forte.' Ele acrescentou que muitas pessoas o procuraram para relatar experiências semelhantes com o mesmo padre, incluindo divorciados e casais em situações irregulares.
Em uma reunião subsequente, ocorrida em 2 de junho, o padre teria se desculpado pela forma como falou, mas manteve sua posição. Segundo Hurtado, o religioso reiterou que não poderia dar-lhe a comunhão porque ele é publicamente casado com um homem — fato conhecido por toda a cidade — e que fazê-lo equivaleria a validar sua situação. Quando Hurtado informou que levaria o caso à mídia, o padre teria respondido: 'É muito comum pessoas como você fazerem esse tipo de coisa', o que ele interpretou como outra referência à sua orientação sexual.
A Arquidiocese de Sevilha está reunindo informações sobre o incidente para emitir uma declaração oficial. O caso gerou protestos de moradores locais, que se manifestaram contra o pároco, conforme vídeo compartilhado nas redes sociais.
Este incidente lembra um caso semelhante de 2012, quando o padre Marcel Guarnizo, da Arquidiocese de Washington, cobriu a hóstia quando uma lésbica que comparecia ao funeral de sua mãe se aproximou para receber a Eucaristia. Na ocasião, o padre foi rapidamente destituído de suas faculdades sacerdotais pelo então cardeal-arcebispo Donald Wuerl.
O Catecismo da Igreja Católica ensina que as pessoas com atração pelo mesmo sexo 'devem ser acolhidas com respeito, compaixão e delicadeza' e que 'todo sinal de discriminação injusta para com elas deve ser evitado' (CIC 2358). No entanto, também afirma que 'os atos homossexuais são intrinsecamente desordenados', contrários à lei natural, e 'em caso algum podem ser aprovados' (CIC 2357). O Catecismo distingue entre a pessoa, a inclinação e o ato, classificando a inclinação e os atos como desordenados, mas não a pessoa em si.
A situação levanta questões sobre a aplicação da doutrina católica em relação à comunhão para pessoas em uniões homossexuais públicas, especialmente à luz das declarações do Papa Francisco de que a Igreja é 'uma casa para todos, todos, todos'.
