Durante a homilia, o sacerdote partiu de uma anedota catequética: um menino perguntou onde estava a Santíssima Trindade, e o catequista respondeu que Ela habita na alma em estado de graça desde o Batismo. São Paulo conclui que devemos respeitar nossos corpos como templos de Deus, e isso inclui vesti-los adequadamente, sobretudo para a Missa dominical, que não é um ato trivial.
O Pe. de Lacoste explicou que a Missa é a renovação do Sacrifício do Calvário, ato de grandeza infinita, e a igreja é a casa de Deus, onde Jesus Cristo está realmente presente no Santíssimo Sacramento. Portanto, não se deve vestir para a Missa como para fazer compras, andar de bicicleta ou cortar a grama. Em Écône, é compreensível que pais de família assistam à Missa diária com roupa de trabalho, mas no domingo, o dia do Senhor, exige-se traje especial.
O pregador comparou a exigência de bancos suíços, que impõem terno e gravata aos funcionários, com a frouxidão de muitos católicos na Missa: "O banco é o templo do dinheiro; a igreja, o templo de Jesus Cristo. Qual dos dois merece mais respeito?" Vestir-se melhor para o banco do que para a Missa pode indicar maior veneração ao dinheiro do que a Deus.
Para as mulheres, o sacerdote acrescentou a necessidade de modéstia, citando a palavra de Cristo: "Quem olhar para uma mulher com desejo já cometeu adultério no coração". A mulher que se veste de forma provocante, revelando partes do corpo, arrisca causar pecado nos outros e compartilha a responsabilidade. Um pároco disse certa vez: "Senhoras, suas roupas: em cima muito baixo, embaixo muito alto". A pequena Jacinta de Fátima relatou que Nossa Senhora disse: "Os pecados que mais levam almas ao inferno são os pecados da carne. Virão modas que ofenderão muito a Nosso Senhor. Quem serve a Deus não deve seguir a moda."
O Pe. de Lacoste recordou exemplos de santos: Padre Pio, que mandou embora uma mulher de saia curta que se aproximava do confessionário, e o Cura d'Ars, que não tolerava entrada na igreja com trajes desleixados ou impudicos. Esses sacerdotes eram rigorosos por amor a Jesus Cristo. Uma anedota ilustra o equilíbrio: um padre no trem, vendo uma moça tentando alongar o vestido curto, disse: "Não adianta puxar; o que ganha embaixo, perde em cima".
No entanto, o pregador esclareceu que modéstia não significa feiura. Deus ama a beleza, a pureza e a elegância. A Virgem Maria, em suas aparições, usava um vestido belíssimo e recatado, ocultando o corpo para revelar a beleza da alma. A mulher impudica, ao contrário, exibe o corpo e esconde a alma, degradando-se. No Juízo Final, seremos julgados não só por nossos atos, mas também pelos que inspiramos nos outros. A roupa nunca é moralmente neutra: ou eleva ou rebaixa.
Por fim, o Pe. de Lacoste respondeu à objeção do calor e do aquecimento global. Para o cristão, o critério principal não é o conforto, mas a vontade de Deus. É necessário sacrifício: vestir-se bela e modestamente mesmo no calor. Lembrou que os bispos, no verão, usam batina, amito, alva, túnica e casula, suando profusamente por respeito a Cristo. Dizer que um sermão inteiro sobre vestuário é detalhe menor não procede: há questões mais elevadas, mas o respeito a Deus começa nos pequenos gestos.
