Em um breve guia prático intitulado 'Discovering the Latin Mass' (Descobrindo a Missa Latina), publicado pela Sophia Institute Press, o arquiduque relata como ele e sua família descobriram a Missa Tradicional em Latim há cinco ou seis anos — e como essa descoberta mudou tudo. "Toda a família começou uma jornada inteiramente nova de aprofundamento da nossa fé, de aprofundamento do nosso relacionamento com Cristo", afirma ele.
Ele observa em seus filhos um maior compromisso com a oração diária, o Rosário e as novenas. "Isso transforma sua vida", diz simplesmente. É exatamente isso que o Arcebispo Marcel Lefebvre vinha repetindo há décadas, ao custo de incompreensão, humilhações canônicas e um doloroso isolamento.
O Arcebispo de Dacar, posteriormente fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, não lutou por razões de gosto estético ou apego sentimental ao latim. Ele lutou porque viu na Missa Latina Tradicional o lugar insubstituível onde a Fé Católica integral é transmitida: sua dimensão sacrificial, seu senso do sagrado, sua orientação escatológica. Ele lutou porque observou, já na década de 1970, o esvaziamento dos seminários, o colapso da prática religiosa, a crise das vocações — e viu o vínculo entre essas catástrofes e a ruptura litúrgica.
Eduard von Habsburg expressou tudo isso à sua maneira, com a discrição de um diplomata: a Missa de São Pio V, disse ele, era "a antitese absoluta do mundo de hoje". Não como uma fuga do mundo, mas como um contrapeso necessário, um espaço onde a lógica do mundo dá lugar à de Deus.
O que é ainda mais marcante é que este descendente dos imperadores austro-húngaros observa esse renascimento entre os jovens. A Missa tradicional, insiste ele, atrai gerações que conheceram apenas o Novus Ordo, que não têm nostalgia dos anos 1950, e que, no entanto, reconhecem na liturgia tradicional algo que não encontram em nenhum outro lugar.
Essa observação refuta definitivamente a tese de que a luta do Arcebispo Lefebvre foi meramente uma reação instintiva de velhos reacionários, como frequentemente se sussurra nos corredores silenciosos dos palácios papais. A história não diz se o arquiduque leu os escritos do Arcebispo Lefebvre. Mas parece que ele descobriu por si mesmo, ao menos em parte, aquilo pelo qual o ex-arcebispo de Dacar e fundador da Fraternidade São Pio X arriscou tudo, até mesmo sua reputação.
