Segundo informações divulgadas em primeira mão pela RAC1, vários participantes receberam instruções impressas escondidas entre as partituras distribuídas para a celebração. O documento, redigido em catalão, convidava a realizar uma ação coordenada durante alguns dos momentos mais significativos do evento.
As instruções eram precisas. Em primeiro lugar, pedia-se aos participantes que guardassem discretamente uma estelada de tamanho A3 entre as partituras até o momento de interpretar o Virolai, instante em que deveria ser desdobrada horizontalmente. O texto insistia que a ação não estava oficialmente vinculada a nenhuma organização política, entidade ou coral específica, afirmando que cada participante agiria de forma individual.
O plano também previa que, ao final do Virolai, aqueles que desejassem cantassem Els Segadors, hino oficial da Catalunha associado habitualmente ao independentismo. Como segunda fase, uma vez concluída a obra musical final do ato, propunha-se gritar palavras de ordem de "independência".
No entanto, a iniciativa não chegou a se concretizar. Conforme também divulgou a RAC1, as forças de segurança agiram antes do desfecho da cerimônia e isolaram por aproximadamente quinze minutos os supostos promotores assim que eles deixaram o interior da basílica. Segundo as imagens divulgadas pela emissora catalã, vários agentes cercaram o grupo para impedir qualquer ação coordenada no exterior.
A intervenção evitou que a cerimônia de bênção da Torre de Jesus Cristo, um dos momentos centrais da visita do Papa Leão XIV à Espanha e coincidente com o centenário da morte de Antoni Gaudí, fosse ofuscada por uma reivindicação política alheia ao caráter religioso do ato.
A celebração pôde, finalmente, transcorrer conforme o roteiro previsto. Milhares de fiéis participaram de uma jornada marcada pela oração, pela música sacra e pela culminação simbólica de uma das obras mais emblemáticas da arquitetura cristã contemporânea, sem que a tentativa de instrumentalização política alterasse o desenvolvimento dos atos.
