A pesquisa Gallup, que mede anualmente as opiniões dos americanos sobre a moralidade de 20 comportamentos distintos, constatou que a aceitação da chamada 'transição de gênero' atingiu o menor patamar desde o início da série histórica, em 2001. A pesquisa pede que os entrevistados distingam seu julgamento moral de sua opinião sobre a legalidade do ato.
A diferença partidária é acentuada: apenas 5% dos republicanos aprovam a transição, contra 60% dos democratas. Entre os independentes, 42% a consideram moralmente aceitável, índice ligeiramente superior à média nacional. A Gallup observa que, embora os americanos tenham se tornado mais tolerantes em relação à maioria dos comportamentos avaliados ao longo das últimas duas décadas, essa tendência de liberalização estagnou ou recuou nos últimos anos.
Os resultados se somam a uma série de dados que indicam uma reação contrária ao ativismo transgênero. Uma pesquisa Cygnal de abril de 2025 mostrou que 66% dos americanos se opõem ao financiamento público de transições de gênero. Já o Pew Research Center revelou que 66% apoiam limitar a participação esportiva ao sexo biológico, 56% são favoráveis à proibição de procedimentos de transição em menores e 53% se opõem a obrigar seguradoras a cobrir tais serviços.
Uma pesquisa Gallup de junho de 2025 indicou que nem metade dos democratas apoia a participação de homens biológicos em esportes femininos. Após as eleições presidenciais de 2024, a firma Blueprint, de orientação democrata, constatou que a afirmação 'Kamala Harris está mais focada em questões culturais, como as de transgêneros, do que em ajudar a classe média' foi o terceiro maior motivo para a rejeição dos eleitores à ex-vice-presidente, e a principal razão para os eleitores indecisos terem votado em Donald Trump.
No mês passado, o Comitê Nacional Democrata divulgou um relatório de autópsia eleitoral admitindo que os anúncios de ataque da campanha de Trump sobre o foco de Harris em questões transgênero foram particularmente eficazes, e reconhecendo que a 'ênfase em questões sociais em detrimento de questões econômicas alienou eleitores socialmente conservadores que priorizavam preocupações da vida cotidiana'.
