A revolução acelera. O cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastero para a Doutrina da Fé, concedeu no dia 26 de outubro uma entrevista ao portal Religión Digital, na qual assestou um novo e significativo golpe no que diz respeito à compreensão tradicional da constituição hierárquica da Igreja. Segundo o purpurado argentino, é preciso reconhecer que a Santa Sé fez 'grandes progressos' e que a nomeação de mulheres como chefes de Dicastero ou de seções importantes destes não tem caráter meramente consultivo. A afirmação foi publicada sob o título espanhol 'Eso no es maquillaje, es participación real en el ejercicio de la potestad del Papa' — isto é, 'Isso não é maquiagem, é participação real no exercício da potestade do Papa'.
O cardeal Fernández desenvolveu seu raciocínio com um exemplo concreto. 'Pensemos no que sempre significou para os religiosos o prefeito do seu Dicastero. Hoje é uma mulher que o preside, e tem a possibilidade de tomar decisões que influenciam seriamente a vida de muitas comunidades. Isso não é um truque de maquiagem, é participação real no exercício da potestade do Papa', declarou. O que sobressai, segundo a análise, é a clareza absoluta com que se fixa não tanto uma práxis quanto um princípio: a participação das mulheres no poder supremo na Igreja. Trata-se de uma mudança de paradigma que, segundo os críticos, rompe com a doutrina católica tradicional sobre a constituição da hierarquia eclesiástica.
A entrevista, conduzida por J. M. Vidal e intitulada 'Nos llevó 19 siglos mostrar que la esclavitud repugna a la dignidad humana', também abordou o documento 'Venite ad me', recentemente publicado pelo Dicastero para a Doutrina da Fé. Questionado sobre se o Dicastero está mudando sua prática para que a prioridade do anúncio do amor de Deus preceda a obrigação moral e religiosa — como pede o documento —, Fernández foi inequívoco: 'O Dicastero procura trabalhar nessa linha, mostrando as exigências do Evangelho como consequências da beleza e da harmonia da sua proposta. Mas é sempre um desafio porque fomos educados no positivismo e na casuística, e os hábitos não se modificam assim tão facilmente'.
A resposta confirma, segundo a análise, o quadro apresentado dias antes sobre o documento 'Venite ad me', no qual se apontavam erros e omissões sobre a transmissão da Fé, com pelo menos cinco pontos críticos entre tantos outros. A fala do cardeal revela que a mudança de linguagem e de abordagem moral não é acidental, mas faz parte de um projeto deliberado de transformação da prática do Dicastero. O prefeito admite que a resistência vem de uma educação 'positivista e casuística', sugerindo que a nova orientação deve prevalecer sobre a formação tradicional do clero e dos teólogos.
O contexto da declaração é o de plena adesão ao direcionamento geral dos 'ensinamentos' do Concílio Vaticano II, com uma tentativa de demonstrar 'ad abundantiam' a plena continuidade — e agora a aceleração — entre os pontificados de Bergoglio e Prevost. A entrevista se insere, portanto, numa linha de continuidade que o cardeal Fernández apresenta como orgânica e irreversível, na qual a participação das mulheres nos dicastérios romanos é apenas a ponta visível de uma reestruturação mais profunda do governo eclesiástico.
A afirmação sobre a 'participação real no exercício da potestade do Papa' tem consequências teológicas que ultrapassam a simples questão administrativa. Ao atribuir às mulheres que dirigem dicastérios uma participação no poder supremo do Romano Pontífice, o cardeal Fernández parece redefinir a própria noção de potestade de jurisdição na Igreja, tradicionalmente reservada aos ministros sagrados. A declaração, proferida pelo prefeito do Dicastero para a Doutrina da Fé — órgão responsável precisamente por zelar pela integridade da doutrina —, confere ao pronunciamento um peso que não pode ser minimizado como opinião pessoal.
Para compreender em profundidade e sem desânimo a crise eclesial e social em curso, a análise remete a obras como 'Parole chiare sulla Chiesa', 'Golpe nella Chiesa', 'Buona filosofia e contro-storia filosofica', 'La rivoluzione guardata negli occhi', 'Magistero Politico', 'L'illusione liberale' e 'CREDERE, SPERARE, COMBATTERE'. A fonte das citações é a entrevista de J. M. Vidal com Víctor Manuel 'Tucho' Fernández, publicada no Religión Digital em 26 de outubro de 2026, sob o título 'Nos llevó 19 siglos mostrar que la esclavitud repugna a la dignidad humana'. O episódio confirma, mais uma vez, que a revolução na Igreja não apenas prossegue, mas acelera seu ritmo.
📎 Fonte original: Radiospada
