O Santo Padre deixou a Casa Episcopal de Las Palmas às 17h50 e dirigiu-se ao Estádio de Gran Canaria, onde foi recebido por uma multidão de fiéis vindos de diversas ilhas do arquipélago. Antes do início da celebração, Leão XIV percorreu o recinto em papamóvel para saudar os presentes. Em seguida, dirigiu-se à sacristia para preparar a celebração eucarística, que começou às 18h30. A liturgia ocorreu no marco da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, devoção profundamente enraizada na Espanha, nação consagrada ao Coração de Cristo.
Segundo a Sala de Imprensa da Santa Sé, a celebração reuniu fiéis distribuídos entre o Estádio de Gran Canaria, a zona de estacionamento e o Palácio de Desportos anexo, tornando-se um dos atos mais multitudinários da viagem apostólica que Leão XIV realiza na Espanha.
Na homilia, o Papa agradeceu ao Senhor por tanto bem que se faz ali cada dia, confiando o compromisso de todos e os sofrimentos dos quais aquela terra é testemunha. Convidou a rezar pelos irmãos e irmãs que perderam a vida no mar, levando tudo ao altar juntamente com o pão e o vinho. Recordou que a Espanha está consagrada ao Sagrado Coração de Jesus e pediu que estejam vivos nos fiéis os sentimentos de humanidade, misericórdia e compaixão do Coração do Salvador.
Leão XIV meditou sobre as leituras, destacando que Deus amou os israelitas gratuitamente, não por méritos, mas por puro amor (Dt 7,7-9). Essa caridade divina, na qual se enraíza a vocação ao amor, não se baseia em cálculo, mero sentimento ou filantropia, mas invade todo o ser: fogo para a alma, luz para a mente, impulso irresistível para a liberdade, paz e tormento para o coração. O amor é connatural ao homem e condição de plenitude da existência.
Citando o "Papa" Francisco, na encíclica Dilexit nos (167), afirmou que "a melhor resposta ao amor de seu Coração é o amor aos irmãos" e que "não há maior gesto que possamos oferecer para devolver amor por amor". Esse "devolver amor por amor" é o intercâmbio maravilhoso do qual o Evangelho convida a deixar-se atrair, traduzindo a medida infinita do amor de Deus na generosidade com que o servimos nos irmãos, especialmente nos mais necessitados e indefesos (cf. Lc 6,32-36).
O Pontífice sublinhou que a gratuidade do Coração de Cristo vai além da assistência imediata, comprometendo-se a ajudar cada um não só a sobreviver, mas a recuperar a confiança e retomar o caminho para crescer e florescer plenamente. Citou Bento XVI, que escreveu que a caridade "é a principal força impulsora do autêntico desenvolvimento de cada pessoa e de toda a humanidade" (Caritas in veritate, 1).
Referindo-se à segunda leitura (1 Jo 4,9), Leão XIV recordou que Deus enviou seu Filho para que tenhamos vida em abundância (Jo 10,10) e que a caridade não deve ser mero assistencialismo, mas integrar as pessoas para sua plena realização espiritual, intelectual e física, e sua inserção digna na comunidade (cf. Fratelli tutti, 129).
Por fim, o Papa destacou a humildade do Coração de Cristo (Mt 11,29). Os "doutos" e "sábios", que se bastam a si mesmos, não sentem seus batimentos. A riqueza torna cegos, mas Jesus ensina que para gustar a verdadeira alegria é necessário descer dos pedestais da arrogância e encontrar-se na humildade que nos irmana. Citou Santo Agostinho: "onde está a caridade está a paz, e onde está a humildade, ali está a caridade".
Leão XIV concluiu exortando os fiéis a adorar o Sagrado Coração de Jesus, coroado de espinhos e ardente em chama, e a lembrar que somos a presença viva do Senhor no mundo (Lumen gentium, 8). Convidou a olhar uns aos outros com respeito, não apenas naquela jornada, mas sempre.
