O Padre Adelino Novais Amado, de 39 anos, natural de Quelimane, foi ordenado sacerdote em 2017. Entre suas funções eclesiásticas, destacam-se os cargos de Chanceler da Diocese, onde era responsável pela gestão documental e administrativa, e de vigário na Paróquia Sagrada Família. Além disso, o sacerdote lecionava a disciplina de Ética na Universidade Católica de Moçambique.
Além do Padre Novais, o Tribunal Judicial Provincial da Zambézia investiga a participação de um jardineiro e um guarda. O trio é apontado como suspeito deste crime bárbaro que chocou a comunidade religiosa e a sociedade em geral, pela violência e circunstâncias ainda sob investigação. Os suspeitos estão sendo ouvidos para esclarecer os fatos e apurar as possíveis responsabilidades criminais de cada um.
Uma das linhas de investigação sugere que o Padre Novais pode ter tido desentendimentos com a vítima por conta de reformas implementadas pelo Bispo, que provocaram descontentamento em alguns setores da Igreja local. A suspeita é de que o jardineiro e o guarda tenham sido cúmplices ou tido conhecimento prévio do crime.
O assassinato de Dom Osório ocorreu na capital da província da Zambézia. Segundo o porta-voz da Polícia de Investigação e Forense de Moçambique em Zambézia, Maximino Amílcar, uma quantidade ainda desconhecida de criminosos invadiu a residência episcopal nas primeiras horas da manhã. Os indivíduos escalaram o muro, danificaram o sistema de segurança e efetuaram disparos contra Dom Osório, que foi atingido várias vezes no peito. Os projéteis atravessaram seu coração, não lhe dando chance de sobrevivência. O corpo do prelado foi encontrado no corredor do palácio episcopal.
As Conferências Episcopais da África e Madagascar divulgaram um comunicado classificando o ato como um “crime bárbaro” e um ataque à vida, à dignidade humana, à paz, à justiça e à liberdade religiosa. A organização condenou veementemente o assassinato, reiterando que nenhum líder religioso deve ser alvo de violência por dedicar sua vida ao serviço de Deus, à reconciliação e ao bem comum. O documento apela ao Governo moçambicano e às autoridades competentes para uma investigação imediata, transparente e independente, a fim de identificar e processar todos os responsáveis. Os prelados também pedem reforço nas medidas de proteção aos líderes religiosos e aos locais de culto, além de expressar solidariedade à Conferência Episcopal de Moçambique e à família do Bispo morto.
As exéquias de Dom Osório terão início às 9h da sexta-feira, 12 de junho, na Paróquia de Nossa Senhora do Livramento – Sé Catedral de Quelimane. O Núncio Apostólico em Moçambique, Dom Luís-Miguel Muñoz Cárdaba, presidirá uma Santa Missa de corpo presente. Em seguida, a urna será levada para a Arquidiocese de Nampula, onde ocorrerá o funeral familiar e o sepultamento no Cemitério do Clero da Arquidiocese de Nampula. No sábado, 13, às 10h, a Catedral de Nampula será palco de outra Santa Missa de corpo presente, presidida por Dom Inácio Saúre, Arcebispo Metropolitano de Nampula. Por fim, o corpo será sepultado no Cemitério do Clero, junto ao Seminário Propedêutico Mater Apostolorum.
