A Associação Católica de Mulheres da Alemanha (kfd) aprovou, em sua assembleia realizada no último fim de semana em Mainz, um documento de posicionamento intitulado "Entre a Proteção da Vida e a Autodeterminação: Posições e Perspectivas da kfd sobre o Parágrafo 218 do Código Penal Alemão". O texto afirma categoricamente: "A kfd exige que os abortos também estejam disponíveis em hospitais católicos". O grupo argumenta que a ausência de aborto nos hospitais católicos "coloca em risco a saúde física e mental daquelas com gravidezes indesejadas".
A kfd é a maior associação feminina católica da Alemanha, com cerca de 265 mil membros. Além de defender o acesso ao aborto, o grupo também pediu acesso gratuito a contraceptivos e cobertura de seguro de saúde para o aborto. A Igreja Católica condena categoricamente tanto o aborto quanto o uso de contraceptivos.
Adicionalmente, a associação pediu a ordenação de mulheres ao sacerdócio e aprovou, em 2020, uma resolução declarando que a filiação ao partido conservador alemão AfD é um fator de desqualificação para ingressar na kfd. A Conferência Episcopal Alemã aprovou os estatutos do grupo como uma organização leiga católica oficial sob o direito canônico.
A associação feminina heterodoxa também atacou o movimento pró-vida, afirmando que se opõe "a instrumentalizações fundamentalistas e antidemocráticas da questão". O documento da kfd declara: "A kfd também monitora de perto os chamados 'ativistas pró-vida', que há anos afirmam ruidosa e agressivamente 'proteger cada vida' por meio de comícios como a 'Marcha pela Vida' e '1.000 Cruzes'". O grupo continua: "Em muitos países, incluindo a Alemanha, os direitos sexuais e reprodutivos estão sendo desafiados e atacados por forças radicais de direita e fundamentalistas religiosos".
Sob a lei trabalhista da Igreja na Alemanha, médicos em hospitais católicos não têm permissão para realizar abortos, e o Estado alemão tem tolerado essa exceção até agora. A kfd reconheceu o fato "de que a vida começa com a fertilização do óvulo", mas ainda apoia o assassinato dos não nascidos porque, segundo o grupo, busca harmonizar a escolha da mulher em levar a gravidez a termo com o "respeito pela vida desde o início".
A Igreja Católica sempre condenou inequivocamente o aborto como assassinato e, portanto, pecado mortal. O Catecismo da Igreja Católica (CIC) afirma: "Desde o primeiro século, a Igreja afirmou a maldade moral de todo aborto provocado. Este ensinamento não mudou e permanece imutável. O aborto direto, isto é, desejado como fim ou como meio, é gravemente contrário à lei moral: 'Não matarás o embrião por aborto e não farás perecer o recém-nascido'". Além disso, a cooperação formal em um aborto acarreta a pena de excomunhão automática. O Código de Direito Canônico de 1983 afirma: "Quem realmente provoca um aborto incorre em excomunhão latae sententiae".
