O Sagrado Coração de Jesus apareceu a Santa Margarida Maria Alacoque como em um trono de chamas, mais ardente que o sol e transparente como cristal, com sua adorável chaga. Estava rodeado por uma coroa de espinhos, simbolizando as punhaladas que nossos pecados lhe infligem, e uma cruz sobre ele significava que, desde os primeiros instantes da Encarnação, a cruz foi implantada neste Sagrado Coração.
Desde aqueles primeiros momentos, o Coração de Jesus estava cheio de todas as amarguras que lhe causariam as humilhações, pobreza, dor e desprezo que sua Sagrada Humanidade deveria sofrer durante toda a sua vida e paixão. Ele fez ver a Santa Margarida que o ardente desejo de ser amado pelos homens e de afastá-los do caminho da perdição o levou a formar o desígnio de manifestar seu Coração aos homens com todos os tesouros de amor, misericórdia, graça, santificação e salvação que contém.
Jesus pediu que sua imagem fosse exposta e levada sobre o coração, prometendo que onde quer que esta imagem fosse exposta para ser honrada, ele derramaria suas graças e bênçãos. Ele também mandou que Santa Margarida velasse todas as noites de quinta para sexta-feira durante uma hora, prostrada no chão com ele, para reparar o que ele sofreu no Horto das Oliveiras, quando se queixou de que seus Apóstolos não puderam velar com ele uma hora.
Além disso, Jesus ordenou que ela comungasse todas as primeiras sextas-feiras do mês para reparar os ultrajes que ele recebe no Santíssimo Sacramento. Ele disse: "Tenho sede, mas uma sede tão ardente de ser amado pelos homens no Santíssimo Sacramento que esta sede me consome e não encontro ninguém que se esforce, segundo meu desejo, para apagá-la, correspondendo de alguma maneira ao meu amor."
Em outra ocasião, Jesus disse: "Minha filha, teu desejo de me receber penetrou tão dentro do meu Coração que, se não tivesse instituído este Sacramento de Amor, o instituiria agora para me fazer teu alimento. Agrada-me tanto que desejem receber-me que, todas as vezes que o coração forma este desejo, outras tantas o olho amorosamente para atraí-lo a mim."
Uma vez, estando exposto o Santíssimo Sacramento, Jesus apareceu radiante de glória com suas cinco chagas brilhando como cinco sóis; de sua sagrada humanidade saíam chamas, especialmente de seu adorável peito, que parecia um forno. Abrindo-se, descobriu seu amantíssimo Coração, foco vivo de onde procediam tais chamas. Então revelou as maravilhas inexplicáveis de seu amor puro e o excesso a que o amor pelos homens o conduziu, recebendo apenas ingratidões e desprezos.
Quando Santa Margarida manifestou sua impotência, Jesus respondeu: "Toma, aí tens com que suprir tudo quanto te falta." E abrindo-se o Divino Coração, saiu uma chama tão ardente que ela pensou ser consumida, e rogou que tivesse compaixão de sua fraqueza. Jesus disse: "Eu serei tua força, nada temas, mas deves estar atenta à minha voz e a quanto te peço para dispores ao cumprimento de meus desígnios."
Finalmente, Jesus pediu que o primeiro sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento fosse dedicado a uma festa particular para honrar seu Coração, comungando nesse dia e reparando sua honra por meio de um respeitoso oferecimento, para expiar as injúrias recebidas durante o tempo em que está exposto nos altares. Ele prometeu que todos os que se consagrarem a este Sagrado Coração não perecerão jamais e que, como manancial de todas as bênçãos, as derramaria em abundância em todos os lugares onde a imagem for exposta para ser amada e honrada, unindo famílias desunidas e assistindo as necessitadas.
📎 Fonte original: Como ovejas sin Pastor
