O próximo dia 15 de junho, às 19h30, a editora Bibliotheca Homo Legens apresenta em sua sede em Madrid (Rua Nicasio Gallego, 9) a obra "Dom Marcelo, obediente e livre", uma nova biografia do "cardeal" Dom Marcelo González Martín, que foi bispo de Astorga, arcebispo de Barcelona e Toledo e Primaz da Espanha. O evento, com entrada livre até lotação máxima, contará com quatro vozes para exaltar a figura de um dos bispos mais lúcidos e combatidos do episcopado espanhol do século XX.
Participarão da apresentação Dom Miguel Ángel Velasco Puente, ex-diretor do jornal Alfa e Omega; a magistrada em licença Rocío Pérez-Puig González; o autor da obra, "Monsenhor" Alberto José González Chaves, sacerdote e doutor em Teologia Espiritual; e o prefaciador, "Monsenhor" Santiago Calvo Valencia, que foi secretário pessoal do cardeal por quarenta e três anos. Poucas biografias chegam tão respaldadas pelo conhecimento direto do biografado.
Escrita por "Monsenhor" González Chaves — ordenado sacerdote precisamente por Dom Marcelo em 1995 —, a obra é a versão breve e divulgativa da biografia maior em dois tomos, "Dom Marcelo, navegante e semeador", que o autor assinou junto a Calvo Valencia e José Luis Galán Muñoz. O que era necessário para o estudo nem sempre é acessível para a leitura comum: esta destilação conserva o nervo narrativo e a verdade interior do personagem em um volume que qualquer leitor pode percorrer.
O subtítulo encerra a tese do livro. Em um tempo que confunde a liberdade com a insubmissão e a obediência com a abdicação de quem já não pensa, a vida de Marcelo González Martín (Villanubla, Valladolid, 1918 — 2004) desmente essa falsa dicotomia. Sendo seminarista de estudos brilhantes, teve de abandonar a tese de doutorado por obediência; desde aquele dia até sua morte como cardeal, fez da entrega de sua vontade a fonte de uma liberdade interior que poucos homens de seu século alcançaram.
Essa liberdade se traduziu em lucidez. Em sua pastoral de 1978 sobre a Constituição, Dom Marcelo advertiu que a fórmula "todos têm direito à vida" não impediria que uma maioria parlamentar legalizasse o aborto. E em sua conferência de 1979, previu que, ao concretizar os princípios constitucionais em leis ordinárias, seriam legalizadas práticas antes consideradas atentatórias aos direitos fundamentais, "sem se deter nem diante da vida". O divórcio foi aprovado em 1981; o aborto, em 1985. Não foi profecia sobrenatural, mas o olhar de quem lia seu tempo sem se enganar.
Também não se conteve quanto ao mérito da questão. Do aborto chegou a escrever que era "a gravíssima imoralidade contra a conservação da vida", "o homicídio mais odioso", por tratar-se da eliminação de um ser humano indefeso por aqueles que deveriam protegê-lo. Eram anos em que sustentar tais posições publicamente custava caro, também dentro da Igreja: o livro não oculta seus desencontros com o setor encabeçado pelo "cardeal" Tarancón.
Do jovem seminarista de Valladolid ao bispo reformador de Astorga; do valente pastor da Barcelona dos anos sessenta ao grande impulsionador do seminário de Toledo; do padre conciliar ao Primaz que viveu de perto a Transição. Dom Marcelo amou a Igreja "de dentro", sem medos nem acomodações, unindo a defesa da verdade com uma caridade imensa para com os pobres e uma fidelidade absoluta à Cátedra de Pedro. "Conservar o espírito do passado — deixou escrito — serve para continuar criando no presente".
"Dom Marcelo, obediente e livre" está disponível em livrarias e no site homolegens.com. A apresentação ocorrerá na segunda-feira, 15 de junho, às 19h30, na sede da Homo Legens (Rua Nicasio Gallego, 9, local, 28010 Madrid), com entrada livre até lotação máxima.
📎 Fonte original: InfoVaticana
