A consagração foi liderada pelo arcebispo William E. Lori, que declarou: "Hoje, colocamos a Igreja dos Estados Unidos e estes Estados Unidos da América no Sagrado Coração de Jesus. Não porque resolvemos tudo, mas porque conhecemos Aquele cujo amor dura para sempre." O gesto insere-se num movimento mais amplo de renovação espiritual, impulsionado pelo episcopado americano.
O ano de 2026 marca o 250º aniversário da Declaração de Independência. Para acompanhar o evento, as paróquias foram convidadas a organizar, até o dia 4 de julho, 250 horas de adoração, de preferência no contexto de uma devoção profundamente ligada ao Sagrado Coração: a Hora Santa. O cinema também se une à celebração, com o lançamento do filme "Sagrado Coração", de Sabrina e Steven J. Gunnell, que estreou nos cinemas americanos nos dias 9, 10, 11 e 14 de junho.
A consagração dos Estados Unidos ao Sagrado Coração representa um retorno às raízes, impulsionado pela vontade do episcopado americano de reinvestir na piedade popular, como já fizeram durante dois anos com o Renovação Eucarística Nacional, entre 2022 e 2024. Essa iniciativa foi uma resposta ao choque provocado pela publicação de uma pesquisa do Pew Research Center em 2019, que afirmava que apenas um terço dos católicos americanos acreditava na transubstanciação – a transformação do pão e do vinho no Corpo e Sangue de Cristo durante a Missa.
Diante desse cenário, as dioceses americanas multiplicaram procissões, adorações e catequeses, culminando em um Congresso Eucarístico Nacional em Indianápolis, que reuniu 55 mil fiéis. Paralelamente, os Estados Unidos têm registrado, desde a pandemia de Covid-19, um aumento significativo no número de catecúmenos adultos. Desde 2023, algumas dioceses apresentam progressos espetaculares: 72% na Arquidiocese de Newark (Nova Jersey), 105% na Diocese de Pueblo (Colorado) e 112% em Norwich (Connecticut).
Outra notícia que certamente atrairá a atenção da mídia diz respeito ao alto escalão do governo. No dia 16 de junho, o vice-presidente J.D. Vance publicará o livro "Communion: Finding my Way Back to Faith" ("Comunhão: Como Encontrei a Fé", Ed. HarperCollins), relatando sua conversão do protestantismo à fé católica. Até lá, o Sagrado Coração estará em destaque, especialmente porque a consagração dos Estados Unidos contou com a presença de uma convidada ilustre: Santa Margarida Maria Alacoque, cujas relíquias foram transportadas de Paray-le-Monial, na França, até a Filadélfia.
A consagração ao Sagrado Coração de Jesus é um ato de profundo significado teológico e histórico, reafirmando a confiança da Igreja nos Estados Unidos na misericórdia divina e no amor redentor de Cristo, em um momento de desafios culturais e espirituais. A iniciativa insere-se num contexto de renovação da fé e de busca por um testemunho público mais vigoroso do catolicismo na sociedade americana.
📎 Fonte original: Le Salon Beige
