Na última quarta-feira, os deputados franceses concluíram a análise em comissão da proposta de lei sobre eutanásia, adotando 39 emendas dentre as 723 apresentadas. Entre as medidas aprovadas, destacam-se o restabelecimento do livre arbítrio entre eutanásia e suicídio assistido e a supressão do crime de obstrução, bem como do delito de incitação à 'ajuda para morrer'.
Nenhuma proteção foi concedida às pessoas mais vulneráveis, e a cláusula de consciência continua a ser negada a farmacêuticos e estabelecimentos de saúde. Na véspera, os membros da comissão haviam rejeitado todas as medidas relativas aos maiores protegidos, incluindo as emendas que visavam excluir pessoas com deficiência intelectual do dispositivo de 'ajuda para morrer'.
Em meio às emendas rejeitadas, o deputado Hadrien Clouet (LFI – NFP) conseguiu aprovar a sua (nº 165), 'inspirada em uma proposta da ADMD' (Associação pelo Direito de Morrer com Dignidade): a morte decorrente de eutanásia ou suicídio assistido será considerada uma 'morte natural'.
A proposta de lei será examinada pelo plenário dos deputados a partir de 22 de junho. A informação é do site Gènéthique, que acompanhou os trabalhos parlamentares.
A decisão gerou forte reação entre grupos pró-vida e setores católicos tradicionais, que veem na medida um ataque frontal à dignidade da vida humana e um perigoso precedente para a banalização da morte assistida.
O texto agora segue para votação em plenário, onde se espera intenso debate. A classificação da eutanásia como 'morte natural' é vista como uma tentativa de normalizar a prática, eliminando o estigma e as consequências legais que ainda poderiam existir.
📎 Fonte original: Le Salon Beige
