O autor inicia afirmando verdades fundamentais da fé: não existiríamos se Deus não estivesse presente em cada instante, sustentando-nos no ser. Sem a ação divina, seríamos incapazes de qualquer ato virtuoso, santo ou feliz. Citando João 15,5, recorda as palavras de Jesus: "Sem mim nada podeis fazer". Essa constatação leva à necessidade premente da oração diária, pois a vida interior definha e se resseca sem o recurso cotidiano à prece, tornando-se um invólucro vazio.
Aprofundando o tema, Kwasniewski evoca João 15,15, onde Cristo chama os discípulos de amigos, não de servos, porque lhes revelou tudo o que ouvira do Pai. Essa amizade divina é um dom que nos convida a uma conversa contínua com Jesus, para que o vínculo se aprofunde cada vez mais. O desejo do cristão, ao morrer, é ser reconhecido por Cristo como amigo de longa data e ouvir: "Entra, amigo meu, esperei por ti durante tantos anos, alegrei-me em conhecer-te durante a tua vida e anseio morar contigo para sempre".
No entanto, adverte o autor, Jesus não é um amigo comum: é o Senhor da glória, o grande Rei, Aquele que nos formou no ventre materno, nos salvou com o derramamento do seu sangue na Cruz e será o nosso Juiz, misericordioso e justo. Por isso, a relação com Ele deve ser marcada não apenas por familiaridade e intimidade, mas também pela mais profunda adoração, reverência e abandono. A resposta primeira e mais adequada ao Deus-Homem é a adoração, de joelhos, como faziam os que se aproximavam de Cristo quando Ele caminhava na terra, e como fazemos hoje diante do Santíssimo Sacramento.
O diálogo contínuo com o Senhor realiza-se de muitos modos: na oração pessoal, formal ou informal, com ou sem palavras; na leitura e meditação das Escrituras; até mesmo nos contatos com outras pessoas, nas quais procuramos ver Cristo e relacionar-nos com Ele. Contudo, o encontro mais elevado com Nosso Senhor nesta vida ocorre na oração pública da Igreja, a sagrada liturgia, que compreende os ritos dos sacramentos, o Ofício Divino e, sobretudo, o Santo Sacrifício da Missa, onde Cristo se torna presente no meio de nós para que possamos adorar o Pai perfeitamente, em união com Ele, e recebê-Lo como pão dos viandantes, alimento da imortalidade.
Deus deseja que vivamos a sua própria vida; deseja que respiremos com o seu Espírito; deseja tocar a nossa alma e o nosso corpo com a sua presença curadora e transformadora. Santo Atanásio disse: "Deus fez-se homem para que o homem se tornasse Deus". Se desejamos que Deus se torne nosso e que nós mesmos nos tornemos de Deus, então devemos deixar que Deus entre em nós do modo por Ele escolhido: sob a forma de pão, como nosso alimento, como bem fundamental sem o qual morreríamos de fome.
O artigo é enriquecido por comentários de leitores, que trazem citações de Santa Margarida Maria Alacoque, da Irmã Lúcia de Fátima e do Abade Marmion, reforçando a centralidade do Sagrado Coração de Jesus, a necessidade da força divina em tempos difíceis e a mediação privilegiada da Virgem Maria, que, por estar mais próxima da humanidade de Cristo, recebeu graça superior a todas as criaturas.
📎 Fonte original: Chiesa e post concilio
