Na minha angústia, clamei ao Senhor, e ele me ouviu. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém. Agora que estamos nos dias de Corpus Christi, que Evangelho belo acabamos de ouvir. A ceia está preparada. Convidai-os a vir. Quando nos aproximamos da santa comunhão, recebemos a carne física de Cristo, mas também a sua alma humana, a alma humana e a sua divindade. Porém, dentro da sua alma humana, repleta dos infinitos frutos do Espírito Santo, dos doze frutos e dos sete dons do Espírito Santo. Que festa receber cada nuance desses sete dons do Espírito Santo, mencionados em Isaías capítulo 11, contidos até mesmo na alma humana de Cristo. Portanto, podeis guardar vossos bois, vossa esposa ou o que for, e deixai-me correr para o banquete. Sem desculpas. Recebemos Cristo. Nós, que temos um oceano de tribulações, afogados em doenças, vexames, perplexidades, vicissitudes de toda espécie e cor. Nossos avós caminhavam, como se diz, nas águas pantanosas e lamacentas deste mundo, até os joelhos. Mas agora, no século XXI, essa água lamacenta chega até o nosso nariz, enquanto tentamos respirar algo que se assemelhe à cultura católica. E como precisamos deste banquete, como precisamos vir a Cristo e permitir que Ele nos conceda seus dons, ainda que de forma muito limitada, pois oferecemos muita resistência ao Espírito Santo. Portanto, devemos entender que talvez não tenhamos aqueles frutos infinitos que Cristo pode usar a qualquer momento para sua própria pessoa, sua própria alma, mas podemos acessá-los. E quanto mais generosos formos, mais nossos corações se alargam para receber esses dons do Espírito Santo. Como poderia Deus ouvir nossas tribulações? Como diz o gradual de hoje: "Na minha angústia, clamo ao Senhor, e ele me ouve". Um bom sinal de que o Senhor nos ouve é que Ele nos concede os sete dons do Espírito Santo. Ele nos dá poder, entendimento, força, paz de espírito, e tudo isso enquanto sofremos como se estivéssemos no alto da cruz, sofrendo. Não diferente do bom ladrão pendurado na cruz, morrendo. O Espírito Santo, ouvindo nossas tribulações e clamores, envia-nos especialmente o dom do conselho. Supliquemos ao Senhor o dom do Espírito Santo do conselho, para ativar, devo dizer, em vez de apenas nos dar este dom, ativar o dom que Ele já nos deu no Batismo e na Crisma, ativar e intensificar o dom do conselho. A virtude da prudência tem tudo a ver com aplicar princípios morais a situações concretas, difíceis ou fáceis, da nossa vida. Portanto, essas chamadas tribulações de que o rei Davi falou no gradual de hoje, aplicar os princípios morais ao aqui e agora, especialmente em situações problemáticas. Mas como a prudência é uma virtude, isso significa que o modo humano emerge. Mesmo sendo apoiada pela graça, agradando a Deus, ainda é limitada. Emerge de forma muito humana. Por isso é chamada de virtude. Há algumas limitações em seu exercício. E isso significa que, por ser humana, ainda há níveis de timidez e incerteza presentes e detectados nas decisões tomadas apenas dentro da virtude da prudência. Ainda há um certo grau de medo, de incerteza, de hesitação. Como é difícil combinar prudência e ousadia e coragem. Muitas vezes temos homens ousados que não se importam com a prudência, e também temos homens que parecem prudentes, mas não ousam fazer coisas ousadas que deveriam fazer. Portanto, estamos em um dilema. É por isso que precisamos do dom do Espírito Santo. É por isso que o Espírito Santo precisa vir em nosso socorro para nos dar uma operação superior à nossa virtude da prudência, para que Ele mesmo aja em nós e através de nós. Então, qual é a solução neste mês de junho? Devemos pedir e permitir que o Sagrado Coração de Jesus nos conceda uma abundância de seus dons do Espírito, que Ele mereceu infinitamente por nós na cruz. O dom do Espírito Santo do conselho é o mais necessário. Há um belo livro chamado "O Santificador", do Arcebispo Cardeal Luis Martinez, da Cidade do México, dos anos 1940. Belo livro, "O Santificador". Ele fala sobre três graus existentes no dom do conselho. Todos esses dons vêm em graus na visão tomista da teologia dos sete dons. Assim, o primeiro grau, ou o grau mais baixo do conselho, é que Deus revela rapidamente à alma a sua vontade sobre o que é imediatamente necessário na vida espiritual que agradará a Deus onipotente. Rapidamente. E essa palavra "rapidamente" é importante. Sem hesitações, sem vacilações e sem omissões. Rapidamente. É como um ímã grudando na porta da geladeira. Gruda com grande rapidez. Essa é a característica do dom que temos. Acaso não nos encontramos, em algum momento, pensando qual era nossa obrigação espiritual em determinada situação e nossos deveres de estado em nosso emprego cristão? O dom do conselho nos ajuda a responder a essa pergunta de maneira rápida, ligeira e certa. Rezemos por isso. E não é algo qualquer, mas é ordenado pelo Céu. A fonte vem do Céu. O segundo grau deste dom do conselho, diz o grande arcebispo do México dos anos 1940, é igual ao primeiro grau, mas com esta diferença: não mais em discernir o que é absolutamente necessário para nossa vida espiritual, mas ir além do mero necessário para nossa vida espiritual e tornar-se ainda mais heroico e mais rápido, grudando naquela porta da geladeira de modo mais veemente, fazendo a coisa perfeita, a coisa mais heroica. Lembro-me de quando estava na diocese de Indianápolis, todos os paroquianos diziam: "Oh, precisamos ver se há evolução ou criacionismo, ou o que seja, e tudo isso". E então a passagem diz: "Eu só quero que as mulheres usem vestidos o dia todo, toda a semana". E então começamos a falar sobre...
📎 Fonte original: Sensus Fidelium
📷 Foto: RDNE Stock project via Pexels — A priest and nun engaged in conversation inside a sunlit church chapel.
