A Oitava de Corpus Christi, celebrada na tradição católica, é um período de oito dias dedicado à adoração e reparação eucarística. Como parte da Cruzada de Reparação Eucarística, o portal OnePeterFive publica diariamente as leituras patrísticas contidas nos breviários anteriores a 1955. No primeiro dia, as leituras são extraídas do Ofício Romano promulgado após o Concílio de Trento em 1570, com textos de Santo Tomás de Aquino e Santo Agostinho.
Na quarta leitura, Santo Tomás de Aquino exalta os imensuráveis benefícios que a bondade de Deus concedeu ao povo cristão, conferindo-lhe uma dignidade sem preço. Citando Deuteronômio 4,7, ele pergunta: "Pois que grande nação há que tenha deuses tão próximos a si como o Senhor nosso Deus está para nós?" O Filho Unigênito de Deus, comprazendo-se em nos fazer "participantes da natureza divina" (2Pd 1,4), assumiu a nossa natureza, fazendo-se homem para que os homens se tornassem deuses. Tudo o que Ele tomou de nós, aplicou à nossa salvação: no altar da Cruz ofereceu o Seu Corpo ao Pai como sacrifício de reconciliação, derramou o Seu Sangue como preço da redenção e lavagem purificadora de todo pecado. E, como memorial perene dessa obra de bondade, deixou aos fiéis o Seu próprio Corpo como alimento e o Seu Sangue como bebida, sob as aparências de pão e vinho.
Na quinta leitura, Santo Tomás continua exaltando a preciosidade da Ceia do Senhor. Nada pode ser mais precioso do que esta Ceia, na qual não se oferece carne de touros ou bodes, mas o próprio Cristo, nosso Deus. Nada mais maravilhoso: o pão e o vinho deixam de ser o que eram, e em seu lugar estão o Corpo e o Sangue de Cristo, perfeito Deus e perfeito Homem, sob a aparência de um pouco de pão e vinho. Os fiéis O comem, mas Ele não é partido; quando a hóstia é partida, em cada parte permanece Cristo inteiro, perfeito Deus e perfeito Homem. Tudo o que os sentidos alcançam neste Sacramento (visão, tato, paladar, olfato) permanece como pão e vinho, mas a substância não é pão e vinho. Assim, a fé é exercitada, pois Cristo, que tem uma forma visível, é recebido não apenas de modo invisível, mas parecendo ser pão e vinho, e os sentidos, que julgam pela aparência habitual, são preservados do erro.
Na sexta leitura, Santo Tomás destaca os efeitos salutares deste Sacramento: os pecados são purificados, a força é renovada e a alma se alimenta da gordura dos dons espirituais. Esta Ceia é oferecida na Igreja tanto pelos vivos quanto pelos mortos, ordenada para a saúde de todos. A doçura gloriosa deste Sacramento é tão grande que ninguém pode descrevê-la plenamente: nela se bebe o conforto espiritual na própria fonte, e se faz memória do imenso amor de Cristo em Sua Paixão. Foi para gravar esse amor nos corações dos fiéis que, após celebrar a Páscoa com os discípulos, "sabendo Jesus que era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim" (Jo 13,1) e instituiu este Sacramento, o perene "anúncio da sua morte até que ele venha" (1Cor 11,26), o cumprimento de todos os antigos tipos e figuras, o maior milagre que Ele jamais operou e a única grande alegria dos que agora sofrem, até que Ele venha e o coração deles se alegre, e a sua alegria ninguém lhes tire (Jo 16,22).
Na sétima leitura, Santo Agostinho, em seu Tratado 26 sobre o Evangelho de João, comenta a passagem "Minha carne é verdadeira comida e meu sangue é verdadeira bebida" (Jo 6,56-59). Ele explica que, pelo uso do alimento e da bebida, os homens desejam não ter mais fome nem sede (Ap 7,16), mas há um único Alimento e uma única Bebida que opera naqueles que dele se alimentam que "este corruptível se revista de incorrupção e este mortal se revista de imortalidade" (1Cor 15,53), ou seja, a comunhão com a assembleia e Igreja dos santos filhos de Deus, que são "guardados em perfeita paz" (Is 26,3) e são "todos um" (Jo 17,11), plena e totalmente. Por isso, como entenderam os homens de Deus antes de nós, o Senhor Jesus Cristo nos apresentou Seu Corpo e Seu Sangue sob a semelhança de coisas que, sendo muitas, se reduzem a uma: num só pão há muitos grãos de trigo, e num só cálice de vinho, o suco de muitas uvas. Assim, Ele nos dá a entender como se realiza o que disse, e como este Homem pode dar a Sua Carne para comer e o Seu Sangue para beber.
Na oitava leitura, Santo Agostinho conclui: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele" (Jo 6,56). Portanto, permanecer em Cristo e tê-Lo habitando em nós é comer deste Pão e beber deste Cálice (1Cor 11,28). E aquele que não permanece em Cristo e em quem Cristo não permanece, sem dúvida alguma, não come espiritualmente a Sua Carne nem bebe o Seu Sangue, embora receba sacramentalmente o Sacramento para sua própria condenação. A Eucaristia é, assim, o vínculo de união com Cristo e com a Igreja, e exige de nós uma fé viva e uma vida de graça.
📎 Fonte original: OnePeterFive
