Há poucos dias, o conhecido portal argentino Wanderer publicou um artigo de Eck, intitulado "São Bernardo, Tucho e os títulos marianos", que defende a nota do Dicastério para a Doutrina da Fé contrária ao título de Corredentora de Maria. O autor traça um paralelo com a atitude de São Bernardo, que se opôs à Imaculada Conceição em seu tempo. No entanto, a comparação é inadequada, pois há uma dissimetria manifesta entre os dois casos.
No século XII, a questão da Conceição Imaculada de Maria era matéria opinável, e a reflexão teológica não estava madura, o que explica os sete séculos até a declaração do dogma. Já a Corredenção possui um sólido corpo doutrinal no magistério ordinário, a ponto de haver uma importante petição antes do Concílio Vaticano II para que se proclamasse o quinto dogma mariano, presente de forma unânime nos manuais de teologia da época.
O autor do artigo, que se identifica como católico tradicional, expressa sua dificuldade em compreender como fiéis instruídos podem rejeitar uma doutrina tão clara, baseada em fundamentos patrísticos e escriturísticos. O tom sarcástico e despectivo do artigo de Eck, que equipara a reação dos defensores da Corredenção ao farisaísmo, causou não apenas perplexidade intelectual, mas também um profundo mal-estar pessoal e espiritual.
É decepcionante ver católicos de elite, cuja palavra e exemplo moldam o pensamento de muitos, colocarem seu prestígio a serviço dos inimigos da Igreja, sem perceber o que fazem. A publicação gerou comentários divididos, com críticas e elogios em proporção equivalente. O autor do presente artigo transcreve seus próprios comentários em defesa dos títulos de glória de Maria, que a Igreja um dia proclamará.
A falsidade contida no documento "Mater Populi Fidelis" sobre a inconveniência dos títulos de Corredentora e Mediadora é total. Na teologia católica, Maria, a nova Eva, foi associada à redenção de Cristo de modo análogo ao papel de Eva na queda original. Eva foi indissoluvelmente associada ao pecado de Adão; sem sua intervenção, o pecado não teria ocorrido. Do mesmo modo, Deus quis associar Maria à redenção operada por seu Filho, ao encarnar-se em seu seio sagrado, requisito indispensável para a redenção.
Assim como Eva foi "mediadora" das consequências penais do pecado de Adão para sua posteridade, Maria foi livremente constituída medianeira das graças redentoras que fluem da Cruz. A doutrina da Corredenção e Mediação universal de Maria é parte integrante da fé católica, e sua negação representa um grave retrocesso teológico, especialmente vindo de quem se diz tradicionalista.
📎 Fonte original: Adelantelafe
