O próximo consistório extraordinário, convocado pelo Papa Leão XIV para os dias 26 a 29 de junho na Aula Paulo VI e na Sala do Sínodo, terá como um dos temas centrais a doutrina do "bellum iustum" (guerra justa). Alguns participantes consideram superada a doutrina tradicional formulada por Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, em nome de um pacifismo neocatólico. Uma crítica precisa a esse ultrapacifismo vem de duas contribuições extensas que merecem a atenção do Colégio Cardinalício, inclusive porque não provêm de autores de orientação tradicional ou conservadora.
A primeira contribuição é de Luca Diotallevi, professor de Sociologia na Universidade Roma Tre, autor de um ensaio na revista Il Regno intitulado "Catolicismo-Pacifismo: o risco da retórica", divulgado ao público pelo vaticanista Matteo Matzuzzi no Il Foglio de 22 de maio. Diotallevi escreve: "Imaginemos que um grupo de turistas de Marte tivesse passado pela Praça de São Pedro há algum tempo. Muito provavelmente, teria ouvido falar da 'Ucrânia atormentada'. Saindo de um curso de italiano, esses turistas teriam entendido que houve um forte terremoto na Ucrânia. Que impressão teriam esses marcianos ao descobrir que não houve terremoto, mas sim, há quatro anos, um ataque da Rússia de Putin em curso, e que civis desarmados são sistematicamente atacados, vivendo a centenas de quilômetros da frente de batalha e não envolvidos nos combates?"
"E como", prossegue, "esses marcianos interpretariam o uso sistemático da expressão 'Ucrânia atormentada', que designa vagamente a gravidade das consequências, enquanto cuidadosamente se omitem os autores dessas consequências?" "Para nós, que vivemos neste planeta e talvez sejamos católicos, surge outra questão: o cristianismo dos católicos tornou-se uma forma de utopismo pacifista?" Diotallevi pergunta se a linguagem eclesial ainda consegue distinguir entre a 'parresia' cristã (franqueza evangélica) e a mera retórica pacifista. Como exemplo, recorda que em 27 de fevereiro de 2022, enquanto os ucranianos repeliam o ataque de paraquedistas e blindados russos ao aeroporto de Kiev, a Comunidade de Santo Egídio e seu líder Andrea Riccardi exigiram publicamente que Kiev fosse declarada "cidade aberta" – tanto para Putin quanto para Zelensky. No texto, não se distinguia entre agressor e agredido; propunha-se retirar da Ucrânia o controle sobre seu governo e conceder a Putin uma vitória de fato.
Diotallevi recorda ainda um discurso do Cardeal Joseph Ratzinger, em 4 de junho de 2004, sobre o desembarque dos Aliados na Normandia. Nesse discurso, o futuro Bento XVI afirmou que ali talvez se encontrasse um "bellum iustum" na história, pois a ação dos Aliados serviu também ao bem dos povos atacados. Daí Diotallevi pergunta se a Igreja não corre o risco de aceitar, por um lado, a proteção armada para eventos litúrgicos, mas, por outro, não exigir apoio público semelhante para os ucranianos atacados. Isso poderia criar no magistério eclesial a impressão de uma retórica pacifista que encobre a 'parresia' cristã e o núcleo realista do cristianismo.
A segunda contribuição intitula-se "O pacifismo como fetiche metafísico" e foi publicada na revista de esquerda radical MicroMega em 26 de maio de 2026. O autor, Marco Noris, recorda uma frase de Gandhi de 1920 em Young India: "Onde só há escolha entre covardia e violência, eu aconselharia a violência". O sentido é claro, segundo Noris: a não violência de Gandhi não é uma atitude passiva, mas uma decisão ativa e exigente – o oposto da passividade. Quem aceita a opressão sem resistência por medo ou comodidade não pratica a não violência, mas a covardia; e a covardia é moralmente inferior à própria violência. Segundo Noris, parte da esquerda atual fez o contrário: a covardia foi elevada a virtude, a passividade a princípio e a capitulação a postura ética. Isso ocorre pela elevação do pacifismo a um "fetiche metafísico", um sistema de crenças fechado, imune a qualquer realidade.
Esse "pacifismo metafísico" não parte dos fatos – quem ataca quem, com quais meios e consequências – mas de um princípio abstrato: a paz é sempre preferível, as armas sempre agravam os conflitos, a negociação é sempre possível. Quando a realidade contradiz esse princípio, não se corrige o princípio, mas reinterpreta-se ou relativiza-se a realidade. O paradoxo é devastador: o pacifismo abstrato não impede a violência, mas a reforça, pois toda defesa recusada permite destruição concreta – mais bombas, mais cidades destruídas, mais civis mortos. Ao mesmo tempo, Noris recorda que a esquerda historicamente sempre enfatizou que não há neutralidade diante da opressão. Hoje, porém, o vocabulário da emancipação – paz, diálogo, antimilitarismo – é separado da realidade e transformado em sistema autossuficiente. Um pacifismo que exige capitulação do agredido não produz paz verdadeira, mas a "paz dos cemitérios", como formulou Tácito: "Criam um deserto e chamam-lhe paz".
Conclui-se com a esperança de que essas palavras de Tácito, bem como os ensinamentos de Agostinho e Tomás de Aquino, encontrem eco no próximo consistório no Vaticano.
📎 Fonte original: Katholisches
