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Redentoristas Transalpinos anunciam consagração episcopal do Padre Michael Mary para 25 de julho

17 de junho de 2026 às 21:00

Redentoristas Transalpinos anunciam consagração episcopal do Padre Michael Mary para 25 de julho

Monsenhor Pierre Roy comunicou hoje a decisão histórica: o fundador da comunidade de Papa Stronsay receberá o episcopado sem mandato apostólico, em resposta à vacância da Sé Apostólica

Por que agora: razões pastorais e eclesiológicas

Na carta, Monsenhor Roy explica que a decisão não partiu de solicitação dos próprios Redentoristas — que, segundo ele, se mostrariam satisfeitos em continuar sem auxílio episcopal adicional —, mas de uma avaliação de necessidade objetiva. A congregação possui casas na Escócia, Nova Zelândia e Estados Unidos, com missões que se estendem a Samoa e Austrália. Cumprir integralmente os deveres episcopais a partir do Canadá exigiria percorrer o mundo continuamente, numa situação já sobrecarregada pela escassez de sacerdotes nas missões canadenses.

O argumento central é de ordem canônico-teológica: a Sé de Roma está atualmente ocupada pelos inimigos de Deus, tornando impossível a obtenção de mandato apostólico ordinário. A consagração ocorrerá, portanto, sem tal mandato — posição sustentada pela tese de que o consentimento da Santa Sé se torna certo pela necessidade, conforme ensinam teólogos em casos de extrema necessidade da Igreja. O Padre Michael Mary não será, nas palavras de Monsenhor Roy, "um mero distribuidor de sacramentos", mas um bispo com plena missão de ensinar, governar e santificar — ainda que sem jurisdição formal, a qual compete a Cristo conferir diretamente, como cabeça invisível da Igreja.

O futuro bispo residirá principalmente na Nova Zelândia, onde não há bispo de linha tradicional. Monsenhor Roy sublinha o peso disso: a Oceania conta com 50 milhões de almas.

O percurso dos Redentoristas Transalpinos: da FSSPX ao sedevacantismo

A trajetória desta comunidade é uma das mais sinuosas do catolicismo tradicional contemporâneo.

Os Filhos do Santíssimo Redentor foram fundados em 1987-1988 pelo próprio Padre Michael Mary Sim, sob os auspícios do Arcebispo Marcel Lefebvre e com o incentivo do Cardeal Édouard Gagnon. A congregação instalou-se na pequena ilha de Papa Stronsay, nas Órcades escocesas, e seguiu por anos em associação com a Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX).

Em 2008, a maioria da comunidade se reconciliou com Roma, aceitando a mão estendida por Bento XVI após a promulgação do Summorum Pontificum. Essa "reconciliação" foi, contudo, problemática desde o início: os religiosos reconheciam Bento XVI como verdadeiro Sumo Pontífice, mas continuavam resistindo-lhe em matérias de fé, moral e disciplina — atitude que, conforme a própria carta de Monsenhor Roy recorda, é "claramente condenada pelo Magistério da Igreja."

Redentoristas Transalpinos — Mosteiro de Golgotha, ilha de Papa Stronsay
Mosteiro de Golgotha, ilha de Papa Stronsay, Órcades, Escócia — onde ocorrerá a consagração episcopal em 25 de julho de 2026.

Em julho de 2024, as tensões se agudizaram quando o bispo Michael Gielen, da Diocese de Christchurch (Nova Zelândia), ordenou a expulsão da comunidade da diocese em 24 horas. Os Redentoristas negaram as acusações e adotaram medidas canônicas contra a ordem.

Em outubro de 2025, após concluir um Capítulo Geral em Papa Stronsay, a congregação publicou uma carta aberta aos bispos, sacerdotes e fiéis católicos, repudiando a "Igreja Sinodal" e as reformas do Concílio Vaticano II, sem ainda declarar formalmente a vacância da Sé.

O passo definitivo veio em 2 de maio de 2026, festa de Santo Atanásio: a congregação publicou o documento The Dogma to Steer By (O Dogma que nos Orienta), assinado pelos seus 28 membros. O texto declara que "não podemos aceitar os atuais pretendentes ao papado a partir do tempo do Concílio Vaticano II" — incluindo explicitamente Leão XIV — e convoca um Concílio Geral Imperfeito formado por todos os bispos católicos que conservaram a fé verdadeira.

A declaração fundamenta-se no dogma do Concílio Vaticano I: "Esta Sé de São Pedro permanece sempre isenta de qualquer erro." Os religiosos concluem que os papas pós-conciliares, ao ensinarem o erro da indiferença religiosa e outras heresias, não podem ser legítimos sucessores de Pedro.

A avaliação de Monsenhor Roy

Monsenhor Roy responde antecipadamente à objeção mais óbvia: seria prudente consagrar como bispo um homem que conduziu sua comunidade, por anos, ao interior da Nova Igreja?

Sua resposta inverte a lógica: a "reconciliação" de 2008 foi motivada não por adesão ao Concílio, mas pela percepção — inculcada por mais de vinte anos de associação com a FSSPX — de que era impossível reconhecer um homem como verdadeiro Sumo Pontífice e, ao mesmo tempo, resistir-lhe em matéria de fé e disciplina. Ao aceitarem a mão de Bento XVI, os Redentoristas tentavam ao menos resolver essa contradição interna. A experiência concreta dos anos seguintes — que Monsenhor Roy descreve como a oportunidade de "observar de perto o fétido odor da hidra conciliar até 2024" — forneceu-lhes as circunstâncias para rectificar a situação.

O processo foi longo e custoso: perseguições, a expulsão de Christchurch, a morte de um jovem irmão de 24 anos que se afogou nas Órcades em abril de 2026. A comunidade poderia ter retrocedido, mas optou por um estudo sério — cujos resultados Monsenhor Roy afirma ter podido consultar —, que os conduziu a reconhecer a vacância da Sé Apostólica e a abraçar "a única atitude compatível com a Fé Católica diante da apostasia conciliar."

No ano passado, Monsenhor Roy recebeu dos Redentoristas a sua Profissão de Fé e a recitou junto com eles. Desde então, ambas as partes colaboraram até a declaração pública de maio. "Encontrei nos Redentoristas Transalpinos um amor genuíno pela Igreja", escreve o bispo. "Onde quer que esteja a Igreja, lá eles querem estar, e mostraram que estão prontos para sofrer a fim de seguir o caminho da verdade."

O argumento histórico: bispos contra bispos heréticos

Monsenhor Roy insere a decisão num quadro histórico-eclesiológico mais amplo. A carta cita São Pio X: "A principal força dos ímpios é a covardia e a fraqueza dos bons." E argumenta que um exército de sacerdotes celebrando a Missa Tradicional em Latim, por mais necessário que seja, não é por si só suficiente para combater a crise presente. A história da Igreja, recorda ele, demonstra que "os bispos heréticos são combatidos pelo estabelecimento de bispos católicos, assim como os papas impostores são combatidos por um papa verdadeiro."

A consagração de 25 de julho deve ser compreendida nessa chave: não um ato de ambição pessoal nem uma ruptura impulsiva, mas uma resposta pastoral a uma necessidade eclesiástica objetiva, na ausência de um verdadeiro Sumo Pontífice.

Dados da cerimônia

Data25 de julho de 2026
LocalMosteiro de Golgotha, ilha de Papa Stronsay, Órcades, Escócia
Celebrante principalMonsenhor Pierre Roy (Notre-Dame-de-Joie, Canadá)
Co-consagradoresDom Rodrigo Ribeiro da Silva e Dom Fernando Altamira
Candidato ao episcopadoRev. Padre Michael Mary Sim, F.SS.R.
Residência futuraNova Zelândia (principalmente)

Fontes

  • Carta pastoral de Monsenhor Pierre Roy, 18 de junho de 2026 (Festa do Sagrado Coração Eucarístico de Jesus)
  • Anúncio oficial dos Redentoristas Transalpinos: papastronsay.blogspot.com
  • Declaração The Dogma to Steer By, 2 de maio de 2026 — papastronsay.com
  • WM Review, "BREAKING: Transalpine Redemptorists declare 'sede vacante'" — wmreview.org
  • Salve Maria, "Redentoristas Transalpinos anunciam ruptura com Roma" — salvemaria.com.br

📎 Fonte original: Redentoristas Transalpinos — Papa Stronsay

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