O Cardeal Camillo Ruini, falecido em 17 de junho de 2026, deixou um testamento espiritual que expõe sua inquietação com o pontificado do Papa Francisco. O documento, datado de 3 de junho de 2016, foi publicado integralmente pelo blog italiano Messa in Latino, que afirmou tê-lo obtido de fontes nos mais altos escalões para evitar que fosse divulgado de forma cortada ou alterada.
No testamento, Ruini escreve: "Quando o Papa Francisco foi eleito, alegrei-me e, na medida do possível, tornei-me imediatamente um de seus apoiadores. Ainda hoje me alegro e agradeço por seu extraordinário zelo evangelizador. No entanto, devo confessar que me encontro em estado de mal-estar — não por razões pessoais, mas porque luto para compreender certas direções que parecem reabrir feridas mal cicatrizadas após o Concílio [Vaticano II]. Peço humildemente ao Senhor que me convença interiormente de que a Igreja é d'Ele e que Ele mesmo cuida dela para além de nossas perspectivas humanas."
O cardeal, que serviu como presidente da Conferência Episcopal Italiana de 1991 a 2007 e como vigário geral da Diocese de Roma de 1991 a 2008, redigiu o texto como uma oração de ação de graças combinada com exame de consciência e pedido de perdão. O documento traça sua vida desde a infância até os anos de liderança eclesiástica, concluindo com reflexões sobre a velhice, a morte e o futuro da Igreja.
Ruini expressa gratidão a Deus por sua família, vocação sacerdotal, anos de serviço como padre e bispo, e pelos muitos colaboradores, amigos e clérigos que o acompanharam. Também reconhece o que chama de "graves deficiências" em sua vida espiritual, confessando dificuldades na oração, inadequação em responder ao amor de Deus e "a fraqueza" de sua fé.
O cardeal dedica atenção especial ao Papa João Paulo II, com quem trabalhou por mais de duas décadas a partir de 1984. Descreve o pontífice polonês como uma "graça muito especial" em sua vida, testemunhando nele uma "união na oração", atividade apostólica, coragem na fé e "a capacidade de amar e perdoar". Ruini afirma que "tentou seguir seu exemplo", mas admite humildemente que muitas vezes falhou em imitar aqueles aspectos que teriam corrigido suas próprias deficiências.
Ruini agradece a Deus por ter-lhe permitido vivenciar o Concílio Vaticano II e ajudar a implementá-lo na Diocese de Reggio Emilia. Ao mesmo tempo, expressa gratidão por ter recebido "a clareza e a força para se opor aos desvios pós-conciliares". O testamento foi assinado na Solenidade do Sagrado Coração de Nosso Senhor, em 3 de junho de 2016, data em que o Papa Francisco já havia publicado documentos controversos como Evangelii Gaudium, Laudato Si' e Amoris Laetitia.
📎 Fonte original: Lifesitenews
