São Luís Gonzaga nasceu em 9 de março de 1568, no castelo de Castiglione, Itália, primogênito do Marquês Dom Fernando Gonzaga e de Dona Marta Tana. Desde a infância, sua mãe o instruiu na piedade, mas seu pai temia que a devoção o desviasse da carreira das armas. Aos cinco anos, acompanhou o pai a uma expedição militar em Casalmaior, onde aprendeu palavras indecorosas com os soldados. Ao voltar, foi repreendido pelo preceptor e nunca mais as pronunciou, sentindo grande vergonha por essa falta, que mais tarde contava para provar como fora "mau desde criança".
Aos nove anos, foi enviado à corte do Grão-duque da Toscana, em Florença, onde a leitura de um livro sobre os mistérios do Rosário despertou nele uma intensa devoção a Nossa Senhora. Inflamado de amor pela Virgem, fez voto de virgindade. Já então praticava a guarda dos sentidos, obediência total aos superiores e profundo recolhimento. Transferido para a corte de Mântua, intensificou a oração e a mortificação, chegando a considerar uma lauta refeição quando comia um ovo inteiro.
De volta a Castiglione, foi cumulado de graças místicas: ao meditar sobre os atributos divinos, derramava lágrimas em abundância e, por vezes, ficava arrebatado, perdendo os sentidos exteriores. Em 1580, o Cardeal Carlos Borromeu, Visitador Apostólico, admirou-se ao ver como aquele "anjo" discorria sobre temas religiosos e, após duas horas de conversa, decidiu dar-lhe pela primeira vez a Sagrada Eucaristia.
Aos treze anos, sentiu o chamado religioso, mas, por ser muito jovem, nada comunicou aos pais. Redobrou as austeridades: aboliu a lareira em seu quarto, levantava-se de madrugada para rezar de joelhos, mesmo no rigor do inverno lombardo. Mais tarde, ingressou na Companhia de Jesus, onde foi noviço exemplar. Seus estudos de Teologia foram interrompidos por uma grave doença que o prostrou por três meses.
Oito dias antes de sua morte, predisse que seriam seus últimos dias. Na manhã do dia 21 de junho, pediu o Viático, que só lhe foi trazido à tarde. Passou o dia em atos de fé e adoração. Aos padres e noviços que acorreram para se despedir, prometeu lembrar-se deles no Céu. Ao anoitecer, o padre reitor, vendo que ainda falava com facilidade, ordenou que os irmãos se recolhessem, mas Luís afirmou: "Morrerei nesta noite".
Com seu confessor, São Roberto Belarmino, e dois sacerdotes ao lado, Luís não escondia sua profunda alegria por ir para o Céu. Pediu a encomendação e, por volta das vinte horas, com os olhos fixos no crucifixo, entrou serenamente na agonia. Nenhum gemido lhe saiu dos lábios; pronunciando o Santíssimo nome de Jesus, entregou sua alma a Deus.
O famoso dominicano Padre Garrigou-Lagrange descreve o estado de perfeição de almas como a de São Luís: após a purificação passiva do espírito, os perfeitos conhecem a Deus de maneira quase experimental e contínua, mesmo nas ocupações exteriores. Em vez de pensar em si, pensam constantemente em Deus, em Sua glória e na salvação das almas. Assim viveu São Luís Gonzaga, modelo de santidade para a juventude e para todos os fiéis.
📎 Fonte original: Gaudiumpress
