No dia 24 de junho, a Igreja recorda a Natividade de São João Batista, o maior profeta nascido de mulher, conforme as palavras do próprio Cristo: "Em verdade vos digo, entre os nascidos de mulher, não surgiu nenhum maior do que João Batista" (Mateus 11,11). Filho dos santos Zacarias e Isabel, foi santificado ainda no ventre materno pela presença de Jesus, oculto no seio de Maria, sendo purificado do pecado original antes de nascer.
O Martirológio Romano também menciona, nesta mesma data, a memória de inúmeros mártires em Roma, que foram cruelmente mortos por ordem do imperador Nero. Acusados falsamente de incendiar a cidade, foram submetidos a diversos suplícios: uns, cobertos com peles de feras, foram lançados aos cães; outros, crucificados; e alguns, queimados vivos para servirem de luminárias durante a noite. Estes eram discípulos dos Apóstolos e as primícias dos mártires da Igreja Romana.
Além destes, são recordados os santos mártires Fausto e outros vinte e três; em Malinas, o suplício de São Rumoldo, bispo de Dublin e mártir, descendente do rei dos escoceses; em Sátala, na Armênia, sete irmãos mártires soldados — Orencio, Eróes, Farnacio, Fermín, Firmo, Ciríaco e Longino — que, por serem cristãos, foram despojados do cinto militar pelo imperador Maximiano e desterrados para diferentes lugares, onde descansaram no Senhor entre dores e trabalhos.
A meditação sobre São João Batista nos convida à penitência e à humildade. Embora isento de pecado, retirou-se ao deserto para fazer penitência, alimentando-se de gafanhotos e mel silvestre, vestindo pele de camelo. Com seu exemplo, mais do que com palavras, exortava à conversão. Ao ver Jesus, exclamou: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (João 1,29), e o Salvador quis ser batizado por ele.
A penitência deve ser constante até a morte, pois temos sempre contra nós o corpo, o demônio e o mundo. O único meio de triunfar é combatê-los sem descanso. No entanto, se a humildade não acompanhar as austeridades, estas servirão apenas para atormentar. São João rejeitou os honores que os judeus lhe prestavam, chamando-o de Profeta e Messias, e humilhou-se diante de Cristo. Assim também devemos nos humilhar diante de Deus e dos homens, lembrando que nossas obras e sofrimentos são nada comparados aos dos santos.
Oremos: "Ó Deus, que santificastes este dia com o nascimento de São João Batista, concedei ao vosso povo a graça das alegrias espirituais e dirigis as almas dos fiéis pelo caminho da salvação eterna. Por Cristo, nosso Senhor. Amém."
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