No contexto do estudo das fórmulas do latim litúrgico, o artigo 'Per omnia saecula saeculorum e o Grande Amen' oferece uma análise detalhada dessas duas expressões centrais no Cânon Romano. A expressão 'Per omnia saecula saeculorum', que significa 'por todos os séculos dos séculos', é proclamada pelo sacerdote ao final da doxologia do Cânon, encerrando um período de silêncio que perdura durante grande parte da oração eucarística. Sua origem remonta à Vulgata, onde aparece dezenove vezes como tradução do grego 'eis tous aiōnas tōn aiōnōn', frequentemente seguida de 'Amém', indicando seu uso no culto cristão primitivo.
A expressão, embora evoque uma sucessão infinita de tempo, aponta para a eternidade divina, que não é tempo prolongado, mas a posse simultânea e perfeita da vida sem fim, conforme definido por Boécio e São Tomás de Aquino. O uso do plural 'saecula saeculorum' enfatiza a imensidade sem fim de Deus, sendo apropriado para as doxologias que exaltam Sua grandeza. A eefonese, ou seja, a proclamação em voz alta após um período de oração silenciosa, cumpre múltiplas funções: reconecta o sacerdote com a assembleia, sinaliza o início de uma nova parte da Missa e convida os fiéis a afirmarem as preces com o 'Grande Amém'.
O 'Grande Amém' é a resposta dos fiéis ao Sacrifício recém-realizado, expressando seu assentimento e aprovação. São Dionísio de Alexandria o lista como um dos três privilégios dos leigos na Missa, juntamente com a escuta da Oração Eucarística e a recepção da Sagrada Comunhão. A prática remonta a São Justino Mártir, por volta do ano 150, e era vivida com entusiasmo, como descreve São Jerônimo: 'Em nenhum outro lugar o Amém ressoa como trovão no céu, e em nenhum outro lugar os santuários vazios dos falsos deuses são abalados até o fundo'.
A palavra 'Amém', de origem hebraica, é um advérbio que significa 'verdadeiramente' ou 'em verdade'. A Igreja opta por mantê-la sem tradução, seguindo o conselho de Orígenes, que alertava para a perda de força ao traduzir termos de línguas originais. O Grande Amém é considerado o Amém mais importante de toda a Missa e a 'assinatura do povo', sendo recomendado que os leigos não deleguem essa resposta apenas aos ministros ou ao coro, mas a pronunciem pessoalmente, como um ato de fé e apropriação do mistério celebrado.
O artigo também estabelece um paralelo simbólico entre o fim do Cânon e a morte de Cristo na Cruz. A eefonese de 'Per omnia saecula saeculorum' é vista como o grito de Nosso Senhor antes de expirar (Mateus 27,50), enquanto o 'Grande Amém' ecoa a declaração do centurião: 'Verdadeiramente este era o Filho de Deus' (Mateus 27,54). Assim, cada elemento litúrgico carrega um profundo significado espiritual, convidando os fiéis a uma participação mais consciente e devota no Santo Sacrifício.
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