Santo Atanásio nasceu por volta do ano 297, em Alexandria, numa família cristã distinta. Com o consentimento dos pais, foi confiado à escola eclesiástica da cidade, sob a guia do patriarca Santo Alexandre, onde fez rápidos progressos. Sem negligenciar as ciências profanas, que considerava de menor importância, dedicou-se sobretudo ao estudo das Sagradas Escrituras e das ciências eclesiásticas, que aprendia de cor, meditava durante a oração e a contemplação, e das quais extraía sua piedade e profundo conhecimento dos mistérios da fé. Durante este período de formação, não apenas nutriu seu espírito, mas também se dedicou à prática das virtudes cristãs. Quando completou seus estudos literários, o desejo de avançar no caminho da perfeição o levou aos pés do famoso eremita da Tebaida, Santo Antão, onde permaneceu alguns anos sob sua direção. Elevado ao diaconato por Santo Alexandre, este o manteve como secretário e o preparou providencialmente para o governo de uma diocese.
Atanásio era ainda apenas um diácono quando o Patriarca o levou consigo ao Concílio de Niceia, convocado pelo imperador Constantino em 325. Durante aquele solene debate, entre os mais veneráveis defensores da fé que haviam sobrevivido às últimas perseguições, o heresiarca Ário expôs sua doutrina, segundo a qual Jesus Cristo não era Deus, mas uma simples criatura, mais perfeita que as outras e formada antes delas, mas não desde a eternidade. Ao ouvi-lo pronunciar essas ímpias novidades, os Padres do Concílio taparam os ouvidos e só com grande dificuldade consentiram em examinar tais teorias heréticas. Atanásio, simples levita, levantou-se e lutou corpo a corpo com o infame Ário para demonstrar a falsidade de suas inovações. Com a superioridade de sua razão, seu conhecimento dos livros sagrados, a força de sua argumentação e sua eloquência simples e natural, rechaçou os audaciosos ataques desse temível adversário e desbaratou todos os estratagemas de seu raciocínio falacioso. Durante a última sessão solene do Concílio, as blasfêmias de Ário não resistiram à canonização do termo consubstancial, expressão tão concisa e precisa quanto enérgica e luminosa da unidade de natureza nas três pessoas divinas, e assim a verdade venceu a heresia. Ário foi solenemente reprovado pelo Concílio, o Imperador o condenou ao exílio e a cristandade repetiu com alegria o Símbolo de Niceia, magnífico desenvolvimento homogêneo do Credo dos Apóstolos, sublime hino de fé que recitamos ainda todo domingo.
Logo ao voltar a Alexandria, Atanásio foi ordenado sacerdote por Santo Alexandre, mas no ano seguinte o augusto ancião, tendo terminado sua carreira, o designou como seu sucessor. Atanásio se escondeu diante da responsabilidade dessa dignidade, mas ao morrer o patriarca lhe disse: 'Tu foges, Atanásio, mas não escaparás'. E de fato essas palavras foram proféticas, porque o povo insistiu junto às autoridades eclesiásticas e obteve que o jovem sacerdote, com pouco mais de trinta anos, fosse nomeado bispo e patriarca de Alexandria em 8 de junho de 328. Essa nomeação fez tremer os hereges em todo o Império, e em especial Ário, que via escapar-lhe mais uma vez a sede de Alexandria, ele que muitos anos antes havia disputado o cargo, mas vira Santo Alexandre ser preferido a ele. Desde o início de seu episcopado, Atanásio se distinguiu por sua atenção em prover as necessidades espirituais de seu povo, visitando todas as igrejas de sua diocese e enviando até mesmo um novo bispo e missionários às populações etíopes que se convertiam ao catolicismo.
Mas logo teve que lutar contra numerosos hereges que alimentavam por toda parte o fogo da discórdia e da revolta entre o povo. Diante de tão grande defensor da fé, as diversas facções, embora inimigas mortais no passado, uniram-se para caluniar e perseguir com maior força e eficácia o jovem bispo de Alexandria. Mas os ataques dos hereges não se limitavam apenas a Santo Atanásio: em todo o Império continuavam a difundir suas falsas doutrinas e, especialmente na corte imperial, buscavam reconquistar prestígio junto a Constantino. A morte de Santa Helena, mãe catolicíssima do Imperador, foi para eles de grande benefício e permitiu que diversos membros da família imperial, infestados pelo arianismo, promovessem esses ímpios erros. Ário foi assim chamado de volta junto com vários bispos exilados e, graças a falsas profissões de fé, foram reintegrados em suas dioceses. Contudo, sua satisfação não podia ser completa enquanto Ário não tomasse a sede de Alexandria, e logo uma avalanche de calúnias se abateu sobre Atanásio, que foi então convocado pelo imperador para se justificar. Muito rapidamente as argumentações do santo patriarca foram tão evidentes e claras que Constantino o confirmou em seu cargo e lhe confiou uma carta para ler a seu povo, reconhecendo sua inocência e louvando sua santidade.
Derrotados, os caluniadores foram forçados a calar-se e a esconder-se por algum tempo, mas logo recomeçaram as falsas acusações. Como era inútil atacá-lo na doutrina, concentraram suas mentiras na conduta moral do Patriarca, espalhando boatos de homicídios, operações mágicas e impurezas. Mais uma vez Atanásio teve que se justificar diante de Constantino que, após uma investigação, o inocentou de toda suspeita e se irritou com essas odiosas invenções. Contrariados, os intrigantes convocaram um concílio em Cesareia para condenar Atanásio com o pretexto (bastante atual...) de pôr fim às divisões. Como a Assembleia era composta em grande parte por bispos arianos, Atanásio recusou-se a comparecer por três anos e só por ordem formal de Constantino aceitou comparecer diante daquele tribunal corrupto. Teve assim que se submeter a uma paródia de processo porque, como única testemunha, foi apresentada uma mulher que o acusou de violência contra o pudor. Mas, como não foi capaz de reconhecer Atanásio entre os bispos presentes, sua evidente impostura foi recebida com uma gargalhada geral de toda a assembleia e demonstrou a inocência de Atanásio. Cegados pelo ódio, os hereges se entregaram à traição e acusaram novamente o patriarca, mas desta vez do homicídio de Arsênio, um dos chefes da heresia. Atanásio, sempre calmo, limitou-se a chamar o famoso Arsênio que, após sua conversão, se retirara para o deserto. Completamente desmascarados, os acusadores do Patriarca, em vez de admitir a derrota, começaram a acusá-lo de feitiçaria, lançaram um anátema público contra ele sob a alegação de que perturbava a paz da Igreja e quiseram atentar contra sua vida, mas o governador o libertou daquela assembleia enlouquecida e o enviou a Constantinopla para pedir justiça ao Imperador.
Após muitas dificuldades para chegar a Constantinopla, Atanásio conseguiu obter um processo imperial, mas em vez de repetir suas mentiras, os hereges o acusaram falsamente desta vez de ter querido bloquear o trigo egípcio destinado ao abastecimento da capital. Apesar da defesa do Patriarca, dos testemunhos de numerosos bispos e das súplicas do povo de Alexandria, Constantino acreditou nessa horrível calúnia e enviou Atanásio ao exílio em Tréveris, capital da Gália, pensando que essa decisão acalmaria os ânimos e traria unidade e paz à Igreja do Oriente. Embora a terra do exílio tenha sido doce e hospitaleira, Atanásio nunca cessou de lutar pela verdade, tornando-se símbolo eterno da resistência contra a heresia e do primado da fé sobre qualquer conveniência política.
📎 Fonte original: Radiospada
