Uma verdadeira solução não será encontrada sem e contra o Romano Pontífice
Por Roberto de Mattei
O que se deve pensar das ordenações episcopais anunciadas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X para o dia 1º de julho em Écône? A primeira constatação é que estaríamos diante de uma dolorosa provação não apenas para o mundo da tradição católica, mas também para o Papa Leão XIV.
O argumento do estado de necessidade é ao mesmo tempo o mais frágil e o mais forte. Frágil no plano teológico e canônico — pois quem possui a autoridade para constatar tal estado? Forte no plano pastoral — pois Dom Lefebvre era antes de tudo um missionário e pastor de almas que ouvia o clamor dos fiéis.
Se o princípio do estado de necessidade fosse reconhecido como critério geral, cada bispo poderia sentir-se autorizado a ordenar outros bispos sem mandato pontifício, gerando uma multiplicação de jurisdições paralelas. A linhagem de Dom Williamson já mostra esse risco.
O paradoxo
A FSSPX invoca o estado de necessidade e funda sua justificação sobre a primazia pastoral — assumindo precisamente o primado da prática pastoral que é herança do Vaticano II. Inversamente, o Dicastério para a Doutrina da Fé invoca o Vaticano II, mas utiliza contra a FSSPX categorias da teologia pré-conciliar.
Nesta situação confusa, o conselho razoável é: In dubiis standum est pro statu quo — cada um permaneça onde está e continue a fazer o que tem feito. O verdadeiro problema é mais amplo: está em jogo o juízo histórico e teológico sobre o século XX.
