Como a liturgia bizantina, também a liturgia romana tradicional é caracterizada por numerosos exemplos daquilo que poderíamos definir como 'repetição direcionada'.
A maioria dessas repetições foi eliminada ou drasticamente reduzida na reforma litúrgica, presumivelmente em conformidade com o Sacrosanctum Concilium 34, que pedia a redução das 'repetições inúteis'.
As visões de Santa Gertrudes a Grande
Em suas Revelações, Santa Gertrudes viu o Sumo Sacerdote Eterno Jesus Cristo oferecer a Missa solene. A cada invocação do Kyrie, uma graça particular era derramada sobre sua alma: remissão dos pecados de fragilidade, perdão dos pecados de ignorância, condução ao Filho de Deus pelos Querubins... A cada Christe eleison, as delícias do Coração Divino fluíam em sua alma. Ao terceiro Kyrie eleison, o Espírito Santo inflamou seu amor para amar Deus com todo o coração.
Em outra ocasião, a santa recebeu uma tríplice absolvição e bênção da Santíssima Trindade durante o Kyrie: o Pai a abençoou três vezes em remissão dos pecados contra Sua onipotência; o Filho três vezes pelos pecados contra a Divina Sabedoria; e o Espírito Santo três vezes pelos pecados contra a Divina Bondade.
Aprofundamento litúrgico
O testemunho de Santa Gertrudes nos mostra que as repetições litúrgicas não são meros ornamentos ou redundâncias. Cada invocação do Kyrie corresponde a uma efusão particular de graça. Longe de serem 'inúteis', essas repetições são um espelho da paciência divina e um canal pelo qual Deus nos concede, em abundância, aquilo de que necessitamos.
