Dom Matthieu Rougé, bispo de Nanterre, concedeu uma entrevista ao jornal Le Figaro na qual analisa os impactos da lei sobre eutanásia atualmente em debate na França. Segundo o prelado, as instituições de saúde de inspiração cristã poderão ser obrigadas a fechar as portas ou deixar o país caso a legislação avance sem garantir a objeção de consciência institucional.
O bispo destacou que essas instituições, que há séculos prestam serviços de saúde à população francesa, baseiam sua atuação em princípios éticos que incluem a defesa da vida desde a concepção até a morte natural. Com a legalização da eutanásia, elas se veriam diante de um dilema: ou praticar o procedimento, violando sua consciência, ou encerrar suas atividades.
Dom Rougé alertou ainda para o risco de que a lei imponha a todas as instituições de saúde, independentemente de sua orientação religiosa, a obrigação de realizar a eutanásia, o que configuraria uma grave violação da liberdade religiosa e de consciência. Ele pediu que os parlamentares considerem emendas que protejam a objeção de consciência tanto individual quanto institucional.
A entrevista foi publicada no contexto de um amplo debate na sociedade francesa sobre o fim da vida, com projetos de lei que visam autorizar a eutanásia e o suicídio assistido. A posição da Igreja Católica, reiterada pelo bispo, é de defesa intransigente da vida humana em todas as suas etapas.
