O professor Paolo Pasqualucci, católico, publicou uma análise da Declaração de Adesão à Profissão de Fé Católica da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), intitulada "Chiesa e post concilio: Dichiarazione di Adesione alla Professione di Fede Cattolica della ‘Fraternità Sacerdotale San Pio X’ Peregrinatio Summorum Pontificum 2022". O documento foi divulgado em 24 de junho de 2026, em Menzingen, na Suíça, e tem 28 páginas, divididas em XVII seções e uma Conclusão com quatro breves artigos, totalizando 154 artigos.
Pasqualucci afirma que o documento oferece um quadro doutrinal completo da "vastidão terrificante da crise" que, desde o Concílio Vaticano II, "está a abalar a Igreja no seu próprio ser, pondo em causa a sua própria razão de ser". Para ilustrar o espírito do documento, ele reproduz a última seção e a Conclusão.
A seção XVII, intitulada "A crise moderna e o dever de professar a fé", contém oito artigos (143-150). Nela, a FSSPX afirma crer que a Igreja permanece indefectível até o fim dos séculos, mas reconhece que a história conhece períodos de prova em que a verdadeira fé é comprometida. O documento identifica os erros modernos como uma ameaça temível: o agnosticismo ataca o conhecimento de Deus; o naturalismo, a necessidade da graça; o subjetivismo, o fundamento sobrenatural da fé; o relativismo, a imutabilidade do dogma; a moral situacionista, a lei divina; o liberalismo, a realeza social de Cristo; o falso ecumenismo, a unicidade da Igreja; a colegialidade e a sinodalidade, a constituição divina da Igreja; e o antropocentrismo litúrgico, o santo sacrifício da Missa.
A crise atual, segundo o documento, não pode ser reduzida a um conflito de sensibilidades ou preferências litúrgicas, mas toca os fundamentos da fé, da moral, do sacerdócio, do culto, da Igreja e da realeza de Cristo. Esses erros produziram frutos visíveis: enfraquecimento da pregação doutrinal, desaparecimento do espírito missionário, banalização do pecado, crise da família, ruína da liturgia, perda do sentido de Deus, rarefação das vocações, apostasia silenciosa das nações cristãs e profunda confusão dos fiéis.
A FSSPX conclui que não basta mais afirmar as verdades católicas em termos gerais sem denunciar os erros que as corrompem, e que a crise só pode ser superada pelo restabelecimento de todas as coisas em Cristo, pelo retorno à fé, à vida de graça, ao culto divino e à busca da santidade. Sem julgar ninguém nem usurpar a autoridade da Igreja, a Fraternidade professa a fé que está sendo diminuída, recorda a Tradição banida, defende a moral, guarda a liturgia e proclama os direitos de Cristo.
Na Conclusão (artigos 151-154), a FSSPX declara-se fiel à Roma eterna que guarda o depósito transmitido pelos Apóstolos, conservando integralmente essa herança, sem diminuições, alterações ou temor, não como uma opinião particular na Igreja de hoje, mas como a fé recebida da Igreja una, santa, católica, apostólica e romana. A fé não pertence à Fraternidade, mas foi recebida para ser vivida, transmitida e, se Deus quiser, sofrida por ela, na espera confiante do triunfo da verdade e da graça, para a salvação das almas e a glória da Santíssima Trindade.
O documento termina com uma oração pedindo a Deus que mantenha a FSSPX firme nesta confissão até o último instante de vida, e com a intercessão da Virgem Maria, dos santos Apóstolos, mártires, confessores e de todos os santos. A alma, a Igreja e todas as coisas são confiadas nas mãos de Deus.
Pasqualucci conclui seu artigo com uma oração: "Que o Senhor proteja sempre a Fraternidade Sacerdotal São Pio X e conceda a todos nós a Graça da santa perseverança na verdadeira fé até o fim, firmemente sustentados pela Sua promessa: 'Sê fiel até a morte e te darei a coroa da vida' (Ap 2,10)". O artigo foi publicado em 29 de junho de 2026, festa de São Pedro e São Paulo Apóstolos.
