Elisa Rojas, advogada franco-chilena em situação de handicap, foi entrevistada pelo jornal Le Télégramme. Militante pelos direitos das pessoas com deficiência, fundadora do coletivo Luttes et handicaps pour l’égalité et l’émancipation (CLHEE), ela acaba de publicar o livro "Pour mourir, tapez 1" (Para morrer, tecle 1).
Em sua obra, Rojas denuncia que a legalização da eutanásia na França é impulsionada por interesses financeiros, e não por um desejo genuíno de aliviar o sofrimento. Segundo ela, o Estado vê a eutanásia como uma forma de reduzir os custos com saúde, especialmente para pessoas com deficiência e idosos que necessitam de cuidados prolongados.
"As seguradoras que até agora protegiam a vida financiando os cuidados vão se transformar em máquinas de fazer dinheiro investindo na morte", afirma Rojas. Ela critica abertamente a lógica econômica por trás do debate sobre a eutanásia, alertando que os mais vulneráveis serão os primeiros a serem pressionados a optar pela morte.
A advogada também destaca a falta de informação e o medo que cercam o tema. Ela cita o caso de uma senhora chamada Jacqueline, que desejava morrer e era vice-presidente da ADMD (Associação pelo Direito de Morrer com Dignidade), mas que, após receber informações adequadas sobre cuidados paliativos, mudou de ideia.
Rojas conclui que a verdadeira compaixão não está em oferecer a morte, mas em garantir qualidade de vida e cuidados dignos para todos, independentemente de suas condições físicas ou financeiras. O livro "Pour mourir, tapez 1" é um alerta contra a banalização da eutanásia e a mercantilização da vida.
