Rebecca Hopersberger, escritora e educadora católica de Michigan, narra a dolorosa realidade de muitos católicos de sua geração: ver os pais afastados da fé que um dia professaram. Em seu artigo 'De Escapulários e Batinas', publicado na Crisis Magazine, ela relata conversas com sua mãe, que um dia comentou sobre o escapulário que costumava usar, e com seu pai, que revelou ter sido coroinha antes de sua família abandonar a Igreja. A autora descreve como a geração de seus pais foi convencida de que a fé era uma escolha entre muitas, e que o Céu é o destino da maioria, uma teologia que ela considera uma grave distorção.
A situação se agravou quando seu pai enfrentou duas internações graves. Rebecca, temendo pela salvação eterna dele, tentou abordar o assunto com delicadeza, mas encontrou resistência. 'Pai, se eu ligar para meu amigo Padre White, você estaria disposto a falar com ele?', perguntou ela. A resposta foi um seco 'Não. Não sou muito religioso.' Determinada, ela insistiu: 'Você tem uma alma imortal, e ela irá para algum lugar. Pai, eu quero muito ir para o Céu, e quero que você esteja lá.' Com lágrimas nos olhos, ele respondeu: 'Bem, sinto muito te dizer, mas não acho que estarei lá. Não sei se vivi uma vida muito boa.'
Rebecca então contou a parábola do filho pródigo, sentindo pela primeira vez o quanto o Pai deseja o retorno de cada um. Ela reflete que a Igreja que seus pais conheceram os abandonou, substituindo a tradição por uma mensagem diluída. 'A Igreja em que meus pais cresceram conseguiu convencê-los de que era uma boa escolha entre muitas, e que não importa muito, porque o Céu é para onde a maioria vai quando morre', escreve.
Em contraste, a autora encontra consolo na fé de seus filhos, que abraçam a tradição com entusiasmo: frequentam a Missa Tridentina, usam batinas, vão à confissão regularmente e se casam jovens. 'Eles não se deixam enganar pelas bobagens. Rejeitam os adornos banais das missas com violão e igrejas bege', afirma.
Diante da crise, Rebecca recorre às devoções tradicionais, como o Rosário e o escapulário, que fortalecem sua confiança na misericórdia divina. Ela acredita que Nossa Senhora lhe concedeu tempo extra para interceder pelas almas de seus pais. 'Devemos perseverar na oração por esta geração. E, pela inspiração do Espírito Santo, estar prontos para dizer o que for preciso para ajudá-los a chegar ao Céu', conclui, invocando Santo Antônio de Pádua.
📎 Fonte original: Crisismagazine
