Na tarde de segunda-feira, o autor desfrutava de um jantar no Cantão do Valais, na Suíça, acompanhado de um vinho Merlot local, enquanto assistia ao jogo da Copa do Mundo entre Brasil e Japão. A visão de torcedores brasileiros seminuas dançando nas ruas após um gol reforçou a sensação de viver em "duas cidades" distintas: a secular e a católica tradicional.
Na manhã seguinte, o autor viajou para o seminário de Ecône, onde os padres recém-ordenados da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) celebravam suas primeiras missas. Assistiu à missa do Padre Bunge na igreja do seminário, lotada, com o sermão do Superior Geral, Padre Pagliarani, em italiano.
Após a missa, visitou a cripta, onde está o túmulo do Arcebispo Marcel Lefebvre, fundador da FSSPX. A efígie de mármore do prelado, em trajes episcopais, suscita a pergunta: tornar-se-á este local um futuro destino de peregrinação para católicos do mundo todo?
Para os católicos que frequentam a Missa Tradicional em paróquias diocesanas ou comunidades Ecclesia Dei, a figura do Arcebispo Lefebvre gera tensão. Muitos o condenam como cismático, especialmente pelo que fez há exatos 38 anos e que a Sociedade pretende repetir no dia seguinte. No entanto, é incômodo reconhecer que, sem ele, poucas missas tradicionais seriam celebradas hoje.
As origens da Fraternidade Sacerdotal São Pedro (FSSP), que se separou da FSSPX após as consagrações de 1988, e do Instituto do Bom Pastor, fundado por outro grupo dissidente em 2006, são conhecidas. Mas a importância dessas congregações é superada pelo papel mais amplo do Arcebispo Lefebvre na defesa da liturgia tradicional, que levou a concessões graduais de Roma, culminando no motu proprio de Bento XVI em 2007.
Alguns apontam para grupos de padres que mantiveram o Rito Romano Tradicional, como os ingleses que obtiveram permissão via indulto "Agatha Christie" de Paulo VI em 1971. Contudo, esses padres sempre foram limitados em número, dependendo da vontade do ordinário local. Como o Papa Francisco deixou claro, a intenção da reforma litúrgica era substituir o Rito Tradicional pelo Novus Ordo Missae.
Na turbulência revolucionária dos anos 1970, a sobrevivência da Missa Tradicional deveu-se a pequenos grupos de leigos e padres que ergueram capelas não canônicas, sem referência aos seus ordinários, continuando a praticar a liturgia pré-Vaticano II. Frequentemente, essas capelas se vinculavam à crescente FSSPX. Como observou John Lane, condenar o Arcebispo Lefebvre e a Sociedade, enquanto se beneficia dos frutos de sua resistência, é uma hipocrisia que implicitamente toma o lado dos perseguidores modernistas.
Mais tarde, a notícia da carta de advertência do Papa Leão à Sociedade, ameaçando excomunhão pelas consagrações do dia seguinte, não perturbou o ambiente sereno em Ecône. O autor recorda que o argumento de Leão é o mesmo de Paulo VI, João Paulo II e Bento XVI: os católicos fiéis devem "obedecer", enquanto hereges manifestos, como os bispos alemães, permanecem em boa situação com o Papa. A ironia de o Papa declarar-se "já uno" com o pseudo-arcebispo de Canterbury, enquanto ameaça excomunhão à FSSPX, é evidente para quem quiser lembrar.
São Paulo, Apóstolo dos Gentios, rogai por nós!
📎 Fonte original: Onepeterfive
