Pouco se sabe, de fato, sobre o significado das figuras do Divino Espírito Santo. Ele é o Grande Desconhecido. Para penetrar nesse mistério divino, é mister compreender, ainda que sumariamente, o que a Santa Igreja ensina acerca das 'processões' e 'missões visíveis' trinitárias.
Por que a pomba? Para responder a essa pergunta, São Tomás Aquino apresenta várias razões pelas quais tão pequeno e comum animal pôde servir convenientemente de figura para a Terceira Pessoa da Trindade inefável (cf. S. Th. III. q.39, a.6, ad 4). Em primeiro lugar, como o Paráclito apareceu sob essa figura alada durante o Batismo do Senhor, quis certamente significar algo para todos aqueles que seriam batizados em Nome do Pai e do Filho e d’Ele. A pomba é o mais simples dos animais, e o batismo exige que o indivíduo se aproxime das águas santas com simplicidade – o Espírito de verdade tem horror à malícia e à falsidade.
Em segundo lugar, o Consolador manifestou-se com a imagem dessa ave a fim de ensinar o efeito próprio ao batismo: o perdão dos pecados e a reconciliação com Deus. Ora, aliada à mencionada candura, a mansidão também é característica mais que saliente na pomba. No dilúvio, quando o mundo acabara de ser castigado pelas procelas justiceiras, foi este animal o arauto da paz, restabelecida afinal entre a Divindade e o homem. O Defensor, por fim, aparece em forma de pomba para indicar um outro efeito ordinário do batismo: a unidade da Igreja e a edificação da sociedade espiritual dos filhos de Deus. Com efeito, entre todos os seres que rasgam os ares, a pomba é, sem dúvida, um dos mais sociáveis.
No episódio da Transfiguração, o Espírito Santo apareceu sob a forma de uma nuvem luminosa. Com isso, significava os prêmios com que Jesus Cristo, ao retornar triunfante para julgar vivos e mortos, recompensará seus soldados: a luz indica a claridade da glória que os revestirá; a nuvem, com sua sombra deleitável, evoca o refrigério incontaminado de qualquer mal.
Em Pentecostes, o Paráclito desceu sobre os Apóstolos sob a forma de forte ventania e em línguas de fogo. Aquela devia mostrar o poder ministerial concedido aos discípulos na administração dos sacramentos. O vento simbolizava a força irresistível do Espírito Santo que, assim como encheu toda a casa, haveria de encher em breve o mundo inteiro. As línguas manifestavam a missão apostólica do ensino, bem como a inteligência clara de todas as verdades que seriam pregadas pelos quatro cantos da Terra.
O fogo, por sua vez, era o símbolo do Amor pessoal, o Espírito Santo: como Ele consome, aquece, ilumina, purifica e eleva. Lembrava também o fervor com que os corações deveriam arder. Mais ainda: se a Lei Antiga foi dada no cimo do Sinai pelo fogo e no meio do fogo, era preciso que a Nova Lei fosse dada pelo fogo e no meio do fogo. Assim, muitos são os sinais do Consolador, porque Ele é o Espírito de toda graça – Spiritus multiformis gratiae –, mas um só é o Espírito que nos santifica.
📎 Fonte original: Gaudiumpress
