O Katholikentag de Wurtzburgo, realizado na Ascensão de 2025, foi mais uma oportunidade para medir as tensões entre Roma e a Igreja Alemã, que se cristalizam essencialmente em dois domínios: as questões morais e o exercício do poder na Igreja.
No campo moral, a Conferência Episcopal Alemã e o Comitê Central dos Católicos Alemães (ZdK) elaboraram em abril de 2025 um guia intitulado "Segen gibt der Liebe Kraft" (abençoar dá força ao amor), contendo conselhos de acompanhamento para bênçãos de casais que não querem ou não podem contrair matrimônio católico, especialmente casais do mesmo sexo. O Papa Leão XIV, no avião que o trazia de sua recente viagem à África, reiterou publicamente sua oposição a tais bênçãos. No entanto, os bispos alemães descartaram essas objeções, alegando que o caminho escolhido estava em conformidade com a declaração Fiducia Supplicans do Papa Francisco.
Quanto à questão do poder, ela apresenta extrema sensibilidade em uma Igreja Alemã dotada de uma burocracia excessiva, onde dezenas de milhares de leigos exercem atividade profissional diretamente ligada ao ecossistema institucional, associativo ou universitário da Igreja. A presidente do ZdK, Irme Stetter-Karp, é um exemplo acabado desse percurso, tendo sido sucessivamente, na diocese de Rottenburg-Stuttgart, funcionária do Escritório da Juventude, do Centro de Formação para Adultos e da associação Caritas. O fato de esses leigos, especialmente os envolvidos em funções pastorais, estarem constantemente subordinados a clérigos e privados do poder real – por força do direito canônico – constitui um poderoso fator de frustração, suscetível de levar alguns a se voltar contra a suposta ordem estabelecida e as "elites clericais".
Não é por acaso que o Caminho Sinodal, esse grande projeto de reflexão e reformas estruturais lançado em 2019 pela Conferência Episcopal e pelo ZdK, tenha se dado inicialmente como objetivo alcançar uma codireção entre clérigos e leigos na governança da Igreja Alemã. E, em dezembro de 2025, no encerramento de seus trabalhos, o Caminho Sinodal decidiu pela criação de uma Synodalkonferenz (Conferência Sinodal), estrutura permanente destinada a ancorar duravelmente as reformas projetadas, composta por 81 membros, com maioria de leigos.
A Igreja Católica deve então temer um cisma alemão, pela "esquerda", simétrico ao que se anuncia pela "direita" com as ordenações episcopais da Fraternidade Sacerdotal São Pio X? A esta pergunta, é possível responder negativamente, pois nenhuma das duas questões mencionadas é suscetível, no estado atual, de levar a tal desfecho.
Por um lado, para que a contestação frontal da moral sexual da Igreja possa provocar uma ruptura, seria necessário que a Sé Apostólica tomasse a iniciativa de sancionar os bispos que a promovem. Ora, as bênçãos de casais homossexuais tornaram-se prática corrente, não apenas aceita, mas encorajada pela maioria das dioceses alemãs, sem que Roma tenha adotado qualquer medida disciplinar além de críticas verbais. A 6 de maio, o Cardeal Parolin limitou-se a dizer que era "prematuro" falar em sanções e manifestou o desejo de que "os problemas sejam resolvidos de forma pacífica, como convém na Igreja". Parece aplicar-se aqui a conhecida fórmula econômica "too big to fail": dado o peso da Igreja Alemã no catolicismo mundial, Roma provavelmente não está disposta a arriscar um cisma por esta questão das bênçãos homossexuais.
Por outro lado, a ruptura também não ocorrerá sobre a questão do exercício do poder. Cedendo às injunções romanas, os organizadores do Caminho Sinodal esvaziaram de substância o projeto inicial de partilha do poder: não apenas o campo de aplicação da futura Conferência Sinodal permanece vago (tomar posição sobre "evoluções importantes do Estado, da Igreja e da sociedade", adotar resoluções sobre "questões importantes da vida eclesial com incidência supra-diocesana", etc.), mas seus estatutos, atualmente à espera de recognitio em Roma, preveem expressamente o respeito pela "ordem constitucional da Igreja" (artigo 1º) e o direito de cada bispo recusar a implementação em sua diocese das resoluções que a Conferência venha a adotar (artigo 7º). Em suma, para retomar as palavras amargas, mas lúcidas, de canonistas alemães, o Caminho Sinodal pode não ter passado de "mais uma terapia pela palavra para ocupar o povo de Deus" (Bernhard Sven Anuth), de uma "simulação de participação" (Norbert Lüdecke).
📎 Fonte original: Lesalonbeige
