Em sua coluna 'Ask Father' no jornal The Remnant, o Padre Joseph Wilson, sacerdote diocesano da Missa Latina, aborda a situação atual da Igreja, que se tornou ainda mais confusa desde a consagração dos quatro bispos pela FSSPX. Os novos bispos e os bispos consagradores foram declarados excomungados; os padres da FSSPX foram considerados cismáticos e ameaçados de excomunhão, e até os leigos que 'aderem' ao cisma da FSSPX estão sob ameaça de excomunhão. As reações dos comentaristas têm sido variadas, mesmo entre aqueles geralmente confiáveis como ortodoxos e conservadores.
O Padre Wilson expressa sua perplexidade diante da situação, afirmando que não consegue pensar em outro caso tão mal conduzido, exceto talvez o cisma Oriente-Ocidente de 1054. A FSSPX mantém que a Igreja está em um estado de crise extraordinária, sendo impelida pelo dever de fidelidade a Deus a tomar as ações que tomou. No entanto, a Santa Sé parece negar esse 'estado de crise extraordinária', o que o padre considera revelador.
Como exemplo da crise, o padre cita uma missa pública celebrada em uma igreja católica em Londres para o 50º aniversário de um casal homossexual, com a presença de dois bispos concelebrantes, um cardeal (Timothy Radcliffe) pregando a homilia e uma congregação internacional. Apesar das normas e protocolos da Santa Sé, essa celebração não foi uma 'bênção não litúrgica' espontânea e informal, mas um evento público. O padre observa que não ouviu nada sobre esse escândalo sendo abordado.
Além disso, o Cardeal Robert McElroy, Arcebispo de Washington, celebrou missa na Universidade de Georgetown para 500 participantes da 'Conferência Outreach' de 'Católicos LGBTQ+' em 20 de junho. Ele citou como grande sinal de esperança a afirmação do Papa Leão XIV, em sua viagem à África, de que 'a unidade ou divisão na Igreja não deve girar em torno de questões sexuais', e também o controverso relatório do Grupo de Estudo 9 do Sínodo de 2024, que ofereceu um 'novo paradigma' afastando-se dos princípios da lei natural para focar na 'experiência vivida' dos fiéis.
O Padre Wilson critica a negação da crise: 'Mas não, não estamos em um estado de crise extraordinária. Nada para ver aqui. E não olhem para a Alemanha também...' Ele vê o momento atual como uma oportunidade tragicamente perdida. Em vez de conversas intermináveis sobre 'Caminhar Juntos na Sinodalidade', 'Teoria da Guerra Justa' e 'Ser Gentil com os Migrantes', o padre imagina o que o Santo Padre deveria ter dito à Igreja.
O padre propõe um discurso pastoral que o Papa Leão XIV poderia ter feito, dirigindo-se a toda a Igreja – bispos, padres, religiosos e leigos – convidando a uma conversa ampla, profunda e honesta sobre os 'sinais dos tempos', como exortaram os Padres do Vaticano II. O Papa deveria reconhecer as divisões dolorosas entre crentes de boa fé, pedir desculpas pelos danos causados e convocar a Igreja à consideração orante da crise causada por ensinamentos ambíguos e falsos, e pelo impulso de mudança que negligencia a reverência pela Sagrada Tradição.
O discurso imaginado incluiria a comunicação com o Colégio dos Cardeais, conferências episcopais, superiores de comunidades religiosas contemplativas e líderes de grupos de fiéis, para ouvir suas perspectivas. Após receber essas reflexões, o Papa anunciaria um processo de exame e clarificação para alcançar e fortalecer uma 'hermenêutica da continuidade', conforme a famosa frase do Papa Bento XVI.
O Padre Wilson também sugere que o Papa deveria revogar o motu proprio Traditiones Custodes do Papa Francisco e reafirmar o Summorum Pontificum do Papa Bento XVI, citando a frase de Bento XVI: 'Na história da Liturgia, há crescimento e progresso, mas não ruptura. O que era sagrado para as gerações anteriores permanece sagrado e grande para nós também, e não pode ser subitamente proibido ou considerado prejudicial.' O padre conclui que, se o Santo Padre fizesse isso, uma necessidade crítica e antiga da Igreja poderia ser abordada de forma honesta e direta.
📎 Fonte original: Remnantnewspaper
