Um católico da Nova Zelândia, que prefere manter o anonimato, escreveu uma carta aos bispos de seu país expressando sua profunda preocupação com o estado atual da Igreja, sessenta anos após o encerramento do Concílio Vaticano II. Sem receber sequer um aceno de resposta, ele encaminhou o texto ao Dr. Peter Kwasniewski, que o publicou no site Rorate Caeli. O autor, que era um jovem entusiasmado quando o Papa São João XXIII anunciou o Concílio, descreve sua jornada de esperança a desilusão: "Eu me maravilhava, e continuei maravilhado até 1990, como uma instituição tão perfeita como a Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo poderia ser melhorada!"
O católico, que atuou como missionário leigo em uma região remota do mundo entre 1965 e 1968, admite que pode ter perdido parte dos acontecimentos imediatamente pós-conciliares, mas testemunhou o que chama de "bússola defeituosa" da era pós-Vaticano II: "Para cada passo de melhoria, tivemos dez passos de dissolução e desintegração." Ele aponta que a Igreja hoje é uma "sombra pálida" do que era antes do Concílio, tanto em número de católicos praticantes quanto em satisfação interna e respeito externo.
O fiel destaca dados alarmantes: segundo o Pew Research, para cada 100 pessoas que ingressam na Igreja Católica no Ocidente, 840 a abandonam. "Ninguém parece estar falando sobre a salvação das almas, a única razão de ser da Igreja", lamenta. Ele estima que meio bilhão de católicos morreram fora da prática da fé desde o Concílio, e um número similar hoje vive de forma que ampliará essa estatística. "Talvez meio bilhão de católicos tenham morrido fora da prática da fé desde o Concílio, e um número similar hoje parece viver de uma maneira que amplificará essa mesma estatística."
O autor critica a implementação do Novus Ordo Missae como o "começo mais desastroso", argumentando que as mudanças na oração da Igreja, muitas não autorizadas pelo Concílio, afetaram todos os outros aspectos. "A Missa foi em grande parte esvaziada do mistério da nossa fé, e os católicos se viram pregando otimismo em vez de fé." Ele também menciona a remoção do Juramento contra o Modernismo e das salvaguardas contra a Maçonaria como fatores que agravaram a crise.
O católico expressa perplexidade com a atitude dos líderes atuais, que parecem envergonhados dos títulos de Nossa Senhora e evitam pregar a doutrina. "Você poderia ter a sensação de que nossa concessão de sessenta anos ao Protestantismo agora desceu a reorganizar as cadeiras de convés em uma barca que não vê onde está o perigo." Ele cita o Papa Francisco, que lembrou que pode levar cem anos para os efeitos de um concílio ecumênico se assentarem, mas teme que esses cem anos se tornem "cem anos perdidos" devido à implementação "desastrada e não virtuosa" do Vaticano II.
Por fim, o autor faz um apelo direto aos bispos: "Até que os bispos escolham destapar os ouvidos e ouvir o clamor dos pobres, o declínio da Igreja será creditado a eles como injustiça no dia do juízo, quando o Senhor julgar os vivos e os mortos." Ele conclui que a Igreja parece ter dito a Cristo que não queria mais permanecer na cruz com Ele, esperando que Ele se contentasse apenas com a pregação da Palavra.
📎 Fonte original: Blogspot
