O Padre Garrigou-Lagrange inicia sua análise citando o Padre Henri Bouillard, que em seu livro 'Conversion et grâce chez S. Thomas d’Aquin' afirma: 'Puesto que el espíritu evoluciona, una verdad inmutable sólo puede mantenerse en virtud de una evolución simultánea y correlativa de todas las ideas, cada una proporcionada a la otra. Una teología que no sea actual [que no deje de cambiar] será una teología falsa.' Bouillard argumenta que a teologia de Santo Tomás, em várias seções importantes, não é mais 'atual', pois utiliza noções aristotélicas como a de 'forma' para explicar a graça santificante. Para Bouillard, o pensamento moderno abandonou essas ideias, tornando a teologia tomista obsoleta e, portanto, falsa.
Diante disso, Garrigou-Lagrange questiona: se a teologia de Santo Tomás é falsa por não ser atual, por que os Papas repetidamente ordenaram que se seguisse sua doutrina? Ele cita o Código de Direito Canônico (cânon 1366, n. 2), que determina que os estudos de filosofia racional e teologia sejam tratados segundo o método, a doutrina e os princípios do Doutor Angélico. Além disso, pergunta como uma 'verdade imutável' pode ser mantida se as noções que a compõem são essencialmente variáveis. Se as ideias de natureza, pessoa, substância, pecado original, graça, etc., são fundamentalmente mutáveis, como pode a afirmação que as une pelo verbo 'ser' ser imutável? Como sustentar a Presença Real de Cristo na Eucaristia, o pecado original ou o juízo particular eternamente irrevogável se as próprias ideias são instáveis?
Garrigou-Lagrange aprofunda a questão: as fórmulas dogmáticas conservam sua imutabilidade? Bouillard responde que 'a afirmação que se expressa nelas permanece', mas acrescenta que as ideias implicadas nas definições conciliares são contingentes. Usando o exemplo do Concílio de Trento, que empregou a ideia de 'causa formal' para definir a justificação, Bouillard afirma que o Concílio não canonizou essa ideia aristotélica, mas apenas a utilizou para afirmar, contra os protestantes, que a justificação é uma renovação interior. Assim, essas ideias podem ser substituídas por outras sem modificar o sentido do ensinamento.
Garrigou-Lagrange rebate: o Concílio de Trento aprovou a ideia de 'causa formal' como uma ideia humana estável, no sentido de que a graça santificante é a causa formal da salvação, distinta da graça atual. Se essa ideia for substituída por outra, já não é mais verdadeiro dizer com o Concílio que 'a graça santificante é a causa formal da salvação'. Bouillard propõe que se pode substituir a ideia de causa formal por outra equivalente, mas Garrigou-Lagrange argumenta que isso é apenas um jogo de palavras: se é outra ideia, não há equivalência real. A questão central é: a proposição conciliar é verdadeira por conformidade com o objeto exterior e suas leis imutáveis, ou por conformidade com as exigências da vida humana, que está sempre mudando?
O perigo da nova definição da verdade, segundo Garrigou-Lagrange, é que ela abandona a definição tradicional (adequação do juízo à realidade) em favor de uma conformidade com a ação ou com a vida humana em evolução. Isso compromete a própria noção de verdade imutável e, consequentemente, a autoridade dos dogmas definidos pela Igreja. O artigo conclui que a 'Nova Teologia' é, na verdade, um modernismo disfarçado, que leva à relativização da doutrina católica e à negação da verdade objetiva.
📎 Fonte original: Infovaticana
