O cardeal Gerhard Müller, conhecido por suas duras críticas às ordenações episcopais da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), comparando seus membros a Lutero e Henrique VIII, é agora alvo de severas acusações de hipocrisia. Segundo artigo do portal Chiesa e Post Concilio, Müller defendeu documentos e posições que contradizem a doutrina católica tradicional, como a exortação Amoris Laetitia e o documento ecumênico 'Do Conflito à Comunhão', que elogia Lutero como 'testemunha do Evangelho'.
O cardeal Gerhard Müller, um dos mais destacados representantes do chamado 'tradi-conservadorismo', tem sido um dos críticos mais ferrenhos das consagrações episcopais realizadas pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). Em suas declarações, Müller comparou os continuadores da obra de Dom Marcel Lefebvre ao herege Martinho Lutero e ao cismático Henrique VIII. No entanto, uma análise mais aprofundada de suas próprias posições revela uma contradição flagrante, que pode ser resumida no princípio evangélico: 'Médico, cura-te a ti mesmo'.
Quanto à acusação de cisma, lembramos que o cardeal Müller foi um dos defensores da ortodoxia da exortação Amoris Laetitia, que, na prática, aprova o concubinato, e criticou a forma como foram apresentados os famigerados 'dubia' sobre o documento. Henrique VIII, como é sabido, deu origem a um cisma e a uma hierarquia anti-romana para legitimar seu adultério e concubinato. Müller, ao defender posições que abrem caminho para a aceitação de situações irregulares, coloca-se em uma posição semelhante.
No que tange à comparação com Lutero, é importante recordar que o cardeal Müller é um dos signatários do documento católico-luterano 'Do Conflito à Comunhão', preparatório para a escandalosa comemoração do quinto centenário da rebelião protestante, promovida pelo Papa Francisco. Nesse documento ecumênico, contrário à verdade revelada e à reta razão, encontram-se louvores ao heresiarca saxão e afirmações que rebaixam ao nível de meras percepções as sentenças dogmáticas do Concílio de Trento e as heresias por ele anatematizadas, negando implicitamente o dogma da transubstanciação. O texto afirma, por exemplo, que 'a redescoberta de duas características centrais de sua pessoa e de sua teologia levou a uma nova compreensão ecumênica de Lutero como "testemunha do Evangelho"' (n. 29) e que 'o Concílio de Trento [...] não condenou indivíduos ou comunidades, mas posições doutrinárias específicas' (n. 88), além de declarar que 'a questão da realidade da presença de Jesus Cristo na Santa Ceia não é matéria de controvérsia entre católicos e luteranos' (n. 153). Diante disso, cabe perguntar: quem está luteranizando? Médico, cura-te a ti mesmo!
Além disso, o cardeal Müller proferiu palavras no mínimo confusas sobre a realidade física e biológica da virgindade de Maria durante e após o parto, sem que haja registro de retratação. Da mesma forma, mostrou-se ambíguo em tema eucarístico, ao duvidar se 'Corpo e Sangue de Cristo' significam 'as componentes materiais do homem Jesus durante sua vida ou em sua corporeidade transfigurada'. Por fim, aceitou de fato a Declaração de Abu Dhabi, a exortação Querida Amazônia e a encíclica Fratelli Tutti, marcos do pontificado de Francisco no caminho do neomodernismo, radicalmente estranhos e opostos à fé católica apostólica romana. A Amoris Laetitia, por sua vez, foi descrita como 'um documento verdadeiramente aterrorizante'.
Em suma, as críticas do cardeal Müller à FSSPX revelam-se inconsistentes diante de suas próprias posições, que se alinham com tendências heterodoxas e ecumenistas. Enquanto acusa outros de cisma e heresia, Müller parece ignorar o próprio desvio da doutrina católica tradicional, levantando sérias questões sobre sua coerência e fidelidade à fé.
📎 Fonte original: Blogspot
